Javier A. Contreras, Gustavo Mekaru, Gustavo SD Brandão, Maurício Adinolfi e João Pedro Camargo (Denise Lara/Divulgação) Há histórias que não se contentam em ser contadas — elas precisam ser sentidas, vistas, revisitadas. Aurora 2069, nova graphic novel da Trioleca Casa Editorial, é uma dessas obras que ultrapassam fronteiras entre palavra e imagem, entre o real e o imaginado. O lançamento acontece sexta-feira (17), às 18h, na Livraria Realejo (Avenida Marechal Deodoro, 2, Gonzaga, Santos). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Assinada pelos santistas Javier A. Contreras e Gustavo SD Brandão, com arte de Maurício Adinolfi — também de Santos —, Gustavo Mekaru e João Pedro Camargo, a obra nasce da confluência entre literatura, cinema e artes visuais. O projeto tem origem em um roteiro de longa-metragem ainda não filmado, que também inspirou o curta Aurora 2068 (2023), dirigido por Brandão e Contreras, premiado em festivais no Brasil e no exterior. Em uma São Paulo de 2069, Aurora decide submeter Júlia, sua mãe centenária, a um processo de “eternização” — um upload da mente para uma nuvem de dados. A partir dessa escolha, ela revisita lembranças de sua família mediadas por S.I.R., uma inteligência artificial pessoal que, aos poucos, revela traços de humanidade. O encontro entre a memória humana e a consciência artificial cria uma trama densa e sensível sobre o que significa existir e ser lembrado. O texto combina a escrita de Javier A. Contreras, autor de romances como Animais Tropicais (2025), Crocodilo (Prêmio APCA de Melhor Romance de 2019) e Soy loco por ti, América (2016) — todos finalistas de prêmios como Jabuti, São Paulo de Literatura e Leya —, com a experiência cinematográfica de Gustavo SD Brandão, cineasta com filmes exibidos em Havana, Toronto, Barcelona, Milão, Berlim e Buenos Aires. Dessa convergência nasce um ritmo próprio, que alterna o lirismo literário e a força da linguagem audiovisual. As ilustrações de Adinolfi, Mekaru e Camargo refletem a pluralidade temporal da narrativa — que atravessa os anos 1930, 1960, 2000 e 2069 —, explorando contrastes entre densidade plástica, colagens digitais e atmosferas de ficção científica. O resultado é uma experiência estética e emocional que se constrói como um mosaico de tempos e memórias. Ao mesmo tempo em que instiga o olhar, a graphic novel propõe uma reflexão sensível e filosófica sobre como registramos nossas experiências e sobre a fragilidade do que deixamos para as próximas gerações. Aurora de Javier A. Contreras, Gustavo Mekaru, Gustavo SD Brandão, Maurício Adinolfi e João Pedro Camargo. Trioleca Casa Editorial. 104 páginas. R\$ 84,90 (Divulgação)