Os Embaixadores Orientais no Brasil, de Luiz Zerbini, é uma das obras em cartaz na exposição (Divulgação) Se a onda da vez são os anos 80, por que não também nas artes visuais? Entra em cartaz nesta terça-feira (27), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na Rua Álvares Penteado, 112, no Centro de São Paulo, a exposição Fullgás, uma mostra cheia de nostalgia que apresenta a arte produzida no Brasil durante a década de 1980. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! São 300 obras de mais de 200 artistas de todas as regiões do País, compondo um amplo panorama das artes brasileiras nos anos 80. Completam a exposição elementos da cultura visual da época, como revistas, panfletos, capas de discos e objetos icônicos, ampliando a reflexão sobre o período. “Fullgás, assim como a música de Marina Lima, deseja que o público tenha contato com uma geração que depositou muito de sua energia existencial não apenas no fazer arte, mas também em novos projetos de país e cidadania. Uma geração que, nesse percurso, foi da intensidade à consciência da efemeridade das coisas, da vida”, afirmam os curadores Raphael Fonseca (curador-chefe), Amanda Tavares e Tálisson Melo. Ônibus Circular ou O Jogo de Amarelinha, obra de 1984, de Alice Vinagre (Divulgação) Referências cruzadas A exposição ocupará todo o prédio histórico do CCBB São Paulo e será dividida em cinco núcleos conceituais, cujos nomes fazem referência a canções do BRock dos anos 80: Que País é Este (1987), Beat Acelerado (1985), Diversões Eletrônicas (1980), Pássaros na Garganta (1982) e O Tempo Não Para (1988). Na rotunda do CCBB haverá uma instalação do artista paraense radicado no Rio de Janeiro, Paulo Paes, com um grande balão feito especialmente para a mostra. “O balão é um objeto efêmero, que traz uma questão festiva, de cor e movimento”, explica a curadoria. No espaço do programa educativo, uma banca de jornal com revistas, vinis, livros e gibis publicados no período — com fatos marcantes da época — colocará o público no clima da exposição. A mostra aborda o período de forma ampla, entendendo que seus questionamentos e impulsos começaram e terminaram fora do marco temporal de dez anos que tradicionalmente constitui uma década. Dessa forma, a exposição abrange o período entre 1978 e 1993, tendo como marcos o final do Ato Institucional nº 5 e o ano posterior ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Consideramos para a base de reflexões este arco de quinze anos e todas as suas mudanças estruturais e culturais para pensarmos o Brasil: do fim da ditadura militar ao retorno a uma democracia que, logo na sequência, lidará com o trauma de um impeachment”, contam os curadores, que selecionaram para a exposição obras de artistas cujas trajetórias começaram neste período. Com Quem Está a Chave do Banheiro 10, de Beatriz Milhazes (Divulgação) Abrangência Nas artes visuais, a Geração 80 ficou marcada pela icônica mostra Como vai você, Geração 80?, realizada no Parque Lage (Rio de Janeiro), em 1984. A exposição no CCBB parte da importância desse evento, trazendo inclusive algumas obras que estiveram na mostra, mas amplia o olhar. “Queremos mostrar que diversos artistas de fora do eixo Rio-São Paulo também estavam produzindo na época e que outras coisas também aconteceram no mesmo período histórico, como, por exemplo, o Videobrasil, realizado um ano antes, que destacava a produção de jovens videoartistas do País”, ressaltam os curadores. Assim, Fullgás reunirá nomes de destaque, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Leonilson, Luiz Zerbini e Leda Catunda. Estarão também nomes importantes de todas as regiões, como Jorge dos Anjos (MG), Kassia Borges (GO), Sérgio Lucena (PB), Vitória Basaia (MT) e Raul Cruz (PR). Núcleos Que País é Este: reflete sobre o fim da ditadura militar e a passagem para a democracia. Inclui os debates em torno da Constituição, as moedas, a inflação, além de questões relativas à violência urbana. Nesse núcleo, estão movimentos sociais, indígenas, seringueiros, punk, negro e de mulheres. Beat Acelerado: traz obras e artistas cujo enfoque era a aceleração do tempo, os amores efêmeros, o prazer e a paixão pela cor. Este é o maior núcleo da exposição, com muitas obras nas quais a cor desempenha papel central. Diversões Eletrônicas: apresenta artistas que mergulharam em um futurismo típico do momento histórico, no qual a televisão desempenhou papel essencial, assim como as novas invenções tecnológicas e o desejo pela expansão aeroespacial. Pássaros na Garganta: reúne artistas que observavam mais a natureza e as discussões ecológicas do momento, assim como questões relativas à propriedade da terra e às consequências trágicas do capitalismo selvagem. O Tempo Não Para: quinto e último núcleo da exposição, reflete sobre a passagem do tempo e conecta-se ao próprio nome da exposição, propondo uma reflexão sobre a finitude da existência. Serviço Fullgás No Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) — Rua Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo. De 27 de maio a 4 de agosto, de domingo a segunda, das 9h às 20h. Entrada gratuita, com retirada de ingressos pela internet e na bilheteria do CCBB.