Naji já figurou em mostras coletivas e individuais, no País e no exterior (Sílvio Luiz/AT) Uma imersão na pintura como processo, marcada pela relação entre gesto, matéria e cor. Essa é a proposta da exposição internacional Naji Ayoub e o Campo Vivo da Pintura, aberta ao público de nesta sexta-feira (15) até 28 de junho na Pinacoteca Benedicto Calixto (Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão), em Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A mostra, com cerca de 30 telas, celebra quase seis décadas de carreira do artista libanês Naji Ayoub, de 71 anos. Morando no Brasil desde os 17 anos, ele é apaixonado pela pintura desde a infância, quando começou a produzir os primeiros quadros. A trajetória no circuito artístico teve início em 1968, na Universidade Americana de Beirute. Em Naji Ayoub e o Campo Vivo da Pintura, o público é convidado a uma viagem pelo expressionismo, marcada por cores vibrantes, pinceladas carregadas de movimento e formas geométricas. A mostra ocupa o saguão principal da Pinacoteca e outras duas salas do Casarão Branco. A abertura, realizada apenas para convidados, ocorreu nesta quinta-feira (14) à noite e lotou a Pinacoteca. Para A Tribuna, Naji relembrou o início da relação com a arte. “Quando criança, adorava pintar e ficava horas pintando. Nesse espaço de tempo, a pintura ajudou a me conhecer melhor. Sou um artista em constante mudança, indo do concreto ao expressionismo. O sentido do meu trabalho é criar espaço entre vários elementos da pintura, ora com camadas matéricas, ora com essências cromáticas”. Pintura de Naji Ayoub se afirma como um campo em permanente transformação; mais do que a imagem, ela é um processo em construção (Sílvio Luiz/AT) O artista destacou ainda que o expressionismo nas obras busca provocar diferentes interpretações em cada visitante. “Cada pessoa sente a obra de uma forma. Para mim, uma pintura pode representar algo diferente do que representa para outra pessoa. Isso é o mais interessante na arte: ela provoca sensações diferentes para cada um”. Um dos curadores da exposição, Antonio Carlos Cavalcanti Filho, explicou que a seleção das cerca de 30 obras expostas foi um dos principais desafios da mostra. “Conhecer mais profundamente o trabalho do Naji foi maravilhoso. A arte dele é muito envolvente, especialmente pelas cores e pela força das pinturas. O mais difícil foi deixar obras de fora”. A curadoria também é assinada por Carlos Zibel e reúne principalmente obras recentes do artista, além de algumas peças mais antigas que ajudam a contar a trajetória do pintor. O presidente da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto, Roberto Clemente Santini, ressaltou a sensibilidade do artista no uso das cores e destacou o compromisso em diversificar as exposições ao longo do ano. “Procuramos fazer diferentes modelos e estilos de exposições para o público, com mostras que vão da fotografia à arte abstrata”, afirmou, acrescentando que o Casarão Branco recebe, em média, 6 mil visitantes por mês. A diretora executiva da exposição, Leila Gazzaneo, explicou que a mostra integra a 4ª edição do projeto Arte Pinacoteca. Além disso, destaca o poder da arte de Naji. “A exposição do Naji traduz os sentimentos do artista por meio das telas. Ele demonstra, de diversas formas, como enxerga o mundo e transforma isso em arte”, concluiu. Público pode apreciar as obras de terça a domingo, das 9h às 18h (Sílvio Luiz/AT) Carreira Ao longo da carreira, Naji Ayoub participou de importantes eventos de arte, como o 7º Salão Paulista de Arte Contemporânea, em 1989, além de exposições na Galeria Montessanti, Gabinete 144 e Espaço de Arte Sérgio Caribé. Em 1997, recebeu a medalha de prata no Salão de Arte de Amparo. Também realizou mostras individuais em Araraquara e Genebra. Atualmente, suas obras integram o acervo da Fundação Padre Anchieta.