A Banhista com o Cão Griffon, de 1870, é do início de sua carreira; Rosa e Azul - As Meninas Cahen d’Anvers tem uma história trágica (Divulgação) Um ícone da pintura mundial terá um andar todinho seu no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), entre 28 de março e 3 de agosto. No período, 12 pinturas e uma escultura de Pierre-Auguste Renoir estarão em exibição na mostra especial Cinco Ensaios sobre o Masp - Renoir. Esse conjunto de obras foi exposto pela última vez em 2002, na mostra Renoir – O pintor da vida, realizada no próprio Museu. Com curadoria de Fernando Oliva, a seleção abrange praticamente toda a carreira do artista francês. Entre as pinturas está a famosa Rosa e Azul – As meninas Cahen d’Anvers (1881), que retrata Elisabeth e Alice, filhas do banqueiro Louis Cahen d’Anvers (1837–1922), uma família pertencente à comunidade judaica do século 19. Alice viveu até os 89 anos e morreu em Nice, em 1965. Já Elisabeth teve um destino trágico. Durante a exposição de obras do Masp realizada na Fondation Pierre Gianadda, em 1987, na Suíça, seu sobrinho Jean de Monbrison escreveu relatando que Elisabeth fora enviada para Auschwitz durante a Segunda Guerra e morreu a caminho do campo de concentração, aos 69 anos. Influência italiana O período, conhecido como ‘obra tardia’ de Renoir – influenciado por sua viagem à Itália, em 1881, que possibilitou o contato com mestres renascentistas, como Rafael e Ticiano –, é marcado por pinturas em tons pastéis, sem contornos firmes e sobreposição de cores puras. Essas características podem ser observadas em Banhista Enxugando a Perna Direita (c. 1910) e Banhista Enxugando o Braço Direito (1912). O tema das banhistas, abordado por Renoir desde o início de sua carreira, como na tela A Banhista e o Cão Griffon – Lise à Beira do Sena (1870), tornou-se central em sua produção até sua morte em 1917. A Menina com as Espigas, de 1888, já sob influência italiana (Divulgação) Escultura Além das pinturas, a exposição apresenta Vênus Vitoriosa (Venus Victrix) (1916), escultura produzida no período em que o artista sofria de artrite reumatoide severa. Por conta das limitações impostas pela doença, a obra foi criada com o auxílio do jovem artista Richard Guino (1890–1973). O trabalho dialoga com a pintura O Julgamento de Páris, feita por Renoir alguns anos antes, inspirada no episódio Pomo da Discórdia, da mitologia grega. Serviço: Museu de Arte de São Paulo (Av. Paulista, 1.510, Bela Vista, São Paulo). Terça, entrada gratuita, das 10 às 20 horas; quartas e quintas, das 10 às 18 horas; sextas, das 10 às 21 horas; sábados e domingos, das 10 às 18 horas. Ingressos a R\$ 75,00. Agendamento obrigatório on-line.