A peça deseja ser um ponto de debate sobre as atividades do ser humano e suas consequências à vida (Cacá Bernardes/Divulgação) A vida na Terra por um fio. E a culpa é justamente das únicas criaturas com a capacidade de reconhecer isso. E mesmo assim... Essa é a premissa do monólogo Antropoceno, espetáculo que chega ao palco do teatro do Sesc Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida), nesta quinta-feira (30), às 20 horas, dentro do projeto Baixada En.Cena. “Queremos trazer o debate à consciência. Estamos numa pior. Mas o que a gente faz? Não é a desesperança, mas a proposta de reação”, afirma Matheus Lípari da Silva, conhecido como Lípari, ator que interpreta o monólogo. A ideia de falar do Antropoceno (veja ao lado) surgiu há 10 anos, quando Lípari ainda integrava o Coletivo 302, grupo teatral de Cubatão. Nessa época, o grupo pesquisava a História da industrialização e as questões ambientais da Cidade, que vieram a embasar vários espetáculos da trupe ao longo dos anos. “Percebemos que esse problema específico não estava em Cubatão, mas era mais amplo”. Na verdade, o problema é planetário e indistinguível do estilo de desenvolvimento adotado pela humanidade, especialmente a partir do final do século 19. “É um problema ligado à geopolítica. Das matrizes energéticas ao modo de vida eurocêntrico, com as migrações colonizadoras”. Ou seja, no palco serão questionadas várias das bases em que se sustenta o mundo atual. O espetáculo une dança e performance para construir o drama (Cacá Bernandes/Divulgação) Ciência vira arte À medida que a ideia, e a consciência de sua amplitude, foram tomando forma, Lípari convidou o dramaturgo e geógrafo JùpïRã Transeunte para formatar o texto. “Fizemos o trabalho juntos, de como traduzir questões científicas a uma linguagem teatral”. Então entrou em cena o diretor Douglas Lima, para adaptar ao palco o texto pronto. O que se verá é uma linguagem contemporânea, que mistura dança e performance, de tal forma que o corpo do ator é o próprio lugar do colapso – como se representasse o planeta em agonia. “Queremos discutir esses processos aqui e agora, mas diretamente com as pessoas, pela arte teatral, e não apenas no âmbito da academia”. Os ingressos custam entre R\$ 12,00 e R\$ 40,00 e estão à venda em www.sescsp.org.br/santos ou nas bilheterias do Sesc.