Selton Mello diz que voltar ao divã após 5 anos é como voltar para casa (Divulgação/Globoplay) A série Sessão de Terapia tem uma jornada no mínimo curiosa no cenário do audiovisual brasileiro. Sua primeira temporada foi lançada em 2012, quando a série era exibida pelo GNT — canal que foi sua casa fixa por três temporadas, até 2014. Hoje, mais de uma década depois, muita coisa mudou. A casa é outra, o streaming decolou, os pacientes e o psicoterapeuta também são outros. O que permanece, no entanto, é a conexão profunda da história com as inquietações humanas mais atuais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na sexta temporada, que estreou recentemente no Globoplay, Caio Barone (Selton Mello) recebe quatro novos pacientes cujos dilemas conversam diretamente com assuntos presentes no cotidiano: as consequências da hiperconectividade, as dores do luto, as pressões da maternidade e da juventude eterna. Para Selton Mello, voltar ao divã depois de cinco anos — a quinta temporada, afinal, foi lançada em 2021 — é como voltar para casa. “É uma série que a gente ama fazer, eu não falo só por mim”, citando a roteirista Jaqueline Vargas, a diretora-assistente Vera Haddad e os fotógrafos Lílis Soares e Fábio Burtin. “São pessoas que gostam muito de fazer este trabalho, têm um amor muito grande. E essa é uma série concentrada, com somente dois atores em cena no estúdio, portanto conseguimos fazer com muita atenção e zelo.” Episódios Cada episódio da série, com média de 25 minutos de duração, acompanha a sessão semanal de um paciente, e a estrutura fílmica é quase sempre a mesma: Caio, sentado em sua cadeira, ouve o paciente e o questiona ocasionalmente, incitando-o a compartilhar mais ou refletir sobre suas aflições. No meio do caminho, o público é convidado a também sentir as dores daquela pessoa tendo como âncora um único elemento: a palavra. A cada semana são liberados cinco episódios. Quatro dedicados aos pacientes da temporada e o último dedicado ao próprio Caio, que agora faz sua supervisão com uma nova terapeuta, a implacável Rosa (Grace Passô). Segundo o ator e diretor, sempre há um estudo para definir os temas principais de cada caso e como eles vão se desenvolver ao longo da temporada, mas nada disso é feito por uma pessoa só. “É uma grande conversa para decidir. E tentamos trazer um pouco de tudo o que há no mundo para aquela sala”, contextualiza Selton. “Os casos são bem diferentes entre si, mas ainda encontram conexão. O público acaba se identificando mais com um do que com o outro, ou então se vê mais na segunda-feira, mas encontra traços de sua própria personalidade no personagem da quinta-feira. É uma série fascinante para quem faz e para quem assiste.” Tabu Segundo Selton, parte do mérito de uma série como Sessão de Terapia é ajudar a dissolver um tabu. “O mundo foi ficando cada vez mais louco, mais duro, mais triste. Ainda teve pandemia. Todo mundo passou por isso e ninguém saiu ileso”, analisa. Ele complementa: “Então, esse assunto, que já foi um grande tabu e de que mal se falava, ou era carregado de preconceito, eu sinto que foi cada vez mais se dissolvendo. E, sem medo de errar ou de parecer cabotino, da minha parte, mas a série ajudou muito nisso.” Selton revela que, ao longo dos anos, viu muitas pessoas entenderem o que é a terapia após assistirem à série. “É um lugar de gente sã, que quer se conhecer, quer se organizar emocional e psicologicamente. E muitos terapeutas também são muito gratos pela série existir porque ela mostrou a seriedade do trabalho de um terapeuta e, mais do que isso, mostra como o terapeuta também tem sua vida própria, seus erros e suas fraturas.”