“Meu maior sonho seria transformar o mundo de alguma maneira, ajudar as pessoas, transformá-las em pessoas melhores, e o mundo em si, pela música”, diz Victor (Pianissimo Winter Festival/Divulgação) Fosse por A Grande Valsa Brilhante, de Chopin, uma das peças clássicas que seus pais punham para ele ouvir quando ainda era bebê, ou pelo jogo de celular Piano Tiles, com que costumava passar as horas aos 10 anos, o santista Victor Kruel descobriu a música clássica e, em especial, o piano. Hoje, o adolescente de 17 anos vive em Paris, onde estuda na École Normale de Musique de Paris Alfred Cortot, prestes a se tornar um concertista. “Na época não tinha essa compreensão, mas escolhi o piano porque amava a sonoridade. Era o instrumento com que eu mais me identificava, em que mais consigo me expressar e me conecta à música”. Assim que descobriu o fascínio pelo instrumento, pediu aos pais: quero estudar. Se as distâncias da geografia já percorridas por Victor são longas, as dos estudos vão ainda mais longe. Passou por escolas em Santos e, aos 13 anos, foi admitido na Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, onde estudou com Karin Fernandes e Luiz Guilherme Pozzi. De lá, aos 15 anos, rumou sem escalas para a França, de onde tem se projetado para o mundo. Festivais Recentemente, Victor participou do Pianissimo Winter Festival (Festival de Inverno Pianíssimo), realizado na Rússia, para jovens talentos das teclas. “Visa propagar a música de concerto em importantes salas do mundo, especificamente para piano”. No festival, Victor apresentou um repertório apenas de Chopin. Victor já participa também de competições internacionais. Em 2024, por exemplo, venceu o 1º Prêmio no VII Glory International Piano Competition, em Nova Iorque. Mas seu maior desafio até aqui, considera ter sido galgar à final do 4º Junior Chopin International Piano Competion, em Lugano, na Suíça, que ocorre a cada dois anos. “O nível de refinamento que eu precisava era muito maior do que já tinha feito. E no júri estava Martha Argerich. O nível de exigência comigo foi muito maior”. Em tempo: nascida na Argentina, mas de origem suíça, Martha Argerich tem 84 anos e é considerada uma das maiores pianistas da sua geração. Popularizar o clássico Nem todo mundo tem com a música clássica o contato que Victor teve – desde o berço, frise-se. Para ele, há duas barreiras que impedem o clássico de se tornar mais popular: estereótipo e dificuldade de acesso. “Ela é vista como algo distinto, longe, superior. Na verdade, é o contrário: ela faz a gente vibrar, chorar, se emocionar, como qualquer outro tipo de música”. Quanto ao acesso, tanto no Brasil quanto no mundo, sugere que a música clássica invada os espaços públicos, no cotidiano das ruas. “Colocar orquestra é difícil. Mas a música de câmara é mais fácil”. A música de câmara é um gênero composto para pequenos grupos de instrumentos ou vozes (em geral, de dois a dez). Um dos exemplos mais tradicionais é o quarteto de cordas, usualmente formado por dois violinos, uma viola e um violoncelo. Seja como for, Victor haverá de fazer a sua parte. A sua palavra-chave é plenitude: tocar tudo o que deseja, buscar o melhor de si. “A música tem um poder de transformação enorme na vida das pessoas”, reflete. “Meu maior sonho seria transformar o mundo, transformar as pessoas em seres humanos melhores, pela música”.