Criada e nascida em Santos, viu a luz nas páginas de A Tribuna, em 1989. Era Cacilda, mas teve que mudar de nome: ainda em 1990, virou Bigail. Mais de 30 anos depois, uma das mais queridas personagens de quadrinhos 100% santista retorna em livro: O Melhor da Bigail (Editora Clube do Desapego Literário) resgata mais de 400 tirinhas da personagem, além de histórias e emoções do criador, Sérgio Ribeiro Lemos, o Seri. A obra está em financiamento coletivo (veja mais abaixo). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Quando entrei em A Tribuna pensei em montar uma tira e apresentar ao editor-chefe, à época, o Carlos Klein. Ele me fez a seguinte questão: ‘você vai conseguir produzir 30 tiras por mês? Me deu um frio na espinha, mas eu topei o desafio”, relembra Seri. Nasceu a Cacilda. O nome foi inspirado por uma colega de redação. “Sempre me soou muito bem (Cacilda). Comecei a publicar diariamente e virou um minissucesso regional”. Já a inspiração para a figura da personagem veio de uma solução caseira: a irmã mais velha. “Tinha uma foto bem antiga dela, loirinha, baixinha, perna meio torta... me baseei nessa foto para delinear a personagem”. Nome e figura definidos, faltava a temática: qual o teor que embasaria suas histórias? “Psicologia infantil. Comecei a ler sobre o tema, que me interessava”. Assim, Cacilda tratava do universo humano, adulto, mas a partir da perspectiva de uma criança. Mudança de nome O sucesso foi imediato. Cacilda angariava fãs nas páginas de A Tribuna e ganhava o mundo. A fama chegou à Capital, apenas para Seri descobrir que já havia uma Cacilda por lá. “Uma autora de São Paulo me procurou. Disse: ‘tenho uma personagem com o mesmo nome e publico há mais tempo, tenho mais direito ao nome’”, lembra. “Ela me comprovou que a personagem dela era mais antiga, eu respeitei”. A autora ficou com o nome, Seri com o problema. A solução foi caseira e criativa: deixar que os leitores de A Tribuna ‘rebatizassem’ Cacilda. Na edição de domingo, 2 de setembro de 1990, foi publicada a matéria conclamando o público: ‘Cacilda, de Seri, está à procura de novo nome’. “Fizemos uma ação de marketing que deu certo. Consegui reverter esse período meio traumático, triste, ressignificando-o de maneira positiva”. Assim, Cacilda renasceu Bigail. Caixa de papelão Com as tirinhas de volta aos trilhos rebatizadas, para dar mais agilidade às histórias, Seri sentiu a necessidade de ampliar a ‘família Bigail’. Veio, por exemplo, o Joaquim, inspirado em outro colega de redação. Mas o inseparável companheiro de aventuras tornou-se o irmão menor, apelidado Big Brother. Foi com a participação dele que Seri viveu – ou melhor, reviveu – a si próprio, criança. Em uma história, Big Brother e Bigail estão em uma caixa de papelão que vira navio, submarino, nave espacial. A imaginação não tem limite, tampouco as aventuras, pelo mar, pelo ar. “Tem muito a ver comigo, porque eu adorava brincar em caixa de papelão quando criança”. Outras aventuras viriam. Por exemplo, quando o publicitário Toninho Garcia o procurou. A proposta: será que Bigail não gostaria de ser garota-propaganda de uma rede de farmácias? “Era grande em Santos, na época, abrangia de Guarujá a Itanhaém, umas 25 lojas. Acabaram contratando, foi uma coisa inédita”. Carinho Seri calcula ter produzido mais de sete mil tirinhas de Bigail até 2014. Em seus arquivos, tem entre duas a três mil. Foi desse montante que escolheu as 400 que compõem as 116 páginas do livro. A paciência de garimpar o – vasto – material deu o tom da seleção, cujo critério foi a qualidade, tanto da piada, quanto do tratamento gráfico. “São as melhores, sob o meu ponto de vista, as que eu achei boas e atemporais acabei colocando no livro”. Já a ideia de confeccionar um livro de Bigail pode ser resumida em uma palavra: carinho. Após manifestações, como a de um senhor de 70 anos – “poxa, eu lia A Tribuna todo dia, e a primeira coisa era a tirinha” –, ou de outros que diziam recortar e colecionar as histórias publicadas no jornal, Seri pensou em presentear esse público. “O papel jornal vai envelhecendo, amarelando. O livro, você plastifica, ele vai durar mais tempo”. Financiamento O financiamento coletivo de O Melhor de Bigail está disponível no site. Para apoiar o projeto, que necessita arrecadar R\$ 30 mil em 60 dias, é possível investir R\$ 70,00, que dá direito, além do livro, a um marcador de página; R\$ 110,00, com direito a Bigail e mais dois livros do artista; R\$ 120,00, o livro e mais uma arte original de Seri; ou R\$ 75,00, que dá direito ao livro, mais um adesivo.