Preta Gil foi diagnosticada com a doença em 2023. Este ano, ela havia iniciado um tratamento diferenciado nos Estados Unidos (Reprodução / Arquivo Pessoal) A morte da cantora Preta Gil, aos 50 anos, reacendeu o alerta sobre uma das doenças mais graves e silenciosas que afetam a população brasileira: o câncer colorretal, também conhecido como câncer de cólon ou câncer de intestino. Diagnosticada em janeiro de 2023, a artista passou por uma série de tratamentos no Brasil e nos Estados Unidos, incluindo cirurgias, quimioterapia, radioterapia e procedimentos experimentais. Ainda assim, a batalha contra a doença terminou de forma trágica neste domingo (20), em Nova York. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso gerou comoção nacional e despertou atenção para um tipo de câncer que, embora altamente prevenível e tratável quando detectado precocemente, segue avançando no Brasil e no mundo. O caso Preta Gil: diagnóstico precoce, recidiva e busca por tratamento experimental nos EUA Após o diagnóstico de câncer colorretal em janeiro de 2023, Preta Gil iniciou tratamento no Brasil que incluiu cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Em agosto de 2024, foi diagnosticada com recidiva e metástases em quatro regiões — linfonodos, peritônio e ureter — o que limitou as possibilidades terapêuticas no Brasil. Em março de 2025, durante entrevista ao programa Domingão com Huck, a artista declarou que esgotou os recursos disponíveis no país e que buscaria opções no exterior. Preta Gil chegou aos Estados Unidos em 13 de maio de 2025, dividindo sua estadia entre Nova York e Washington. Foi atendida por dois centros de referência mundial na oncologia: Memorial Sloan Kettering Cancer Center (Nova York) — instituição com mais de 135 anos e considerada um dos melhores centros de câncer do mundo, e Virginia Cancer Institute (Estado da Virgínia) — rede especializada em terapias inovadoras, ensaios clínicos e acompanhamento farmacêutico personalizado. Início de tratamento experimental personalizado Em 10 de junho de 2025, Preta Gil iniciou um tratamento experimental, parte de protocolos clínicos baseados em medicina personalizada, com drogas na fase final de testes e desenhadas para atuar em mutações genéticas específicas de seu tumor. Segundo reportagens, sua equipe identificou mutações que possibilitaram abordar a terapia sob medida, disponível nos EUA e não no Brasil. Durante o tratamento, Preta usou uma bolsa de colostomia definitiva após cirurgia no Brasil e continuou recebendo quimioterapia, inclusive por meio de uma bomba portátil, que permitia sua mobilidade fora do hospital. A rotina exigia deslocamento constante entre Nova York e Washington para consultas e exames programados nos dois centros citados. O custo estimado para a continuidade do tratamento experimental nos EUA ultrapassava 7 milhões de dólares (aproximadamente R\$ 36 milhões), incluindo internação, exames, medicamentos e hospedagem. No Brasil, a dificuldade de acesso a esses protocolos se dá por limitações regulatórias e disponibilidade restrita de ensaios clínicos, o que diferencia bastante o modelo americano, que oferece melhor infraestrutura e maior número de estudos em andamento. Preta contou com apoio emocional e logístico de familiares e amigos, que estiveram junto a ela em Nova York e Washington — entre eles, Ivete Sangalo, Sabrina Sato e membros da família, proporcionando suporte constante Quantos casos são registrados no Brasil e no mundo? Segundo estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer colorretal registra cerca de 45 mil novos casos por ano no Brasil, sendo aproximadamente 23 mil em mulheres e 22 mil em homens. A doença ocupa o terceiro lugar entre os tipos de câncer mais comuns no país e já é a segunda que mais mata. Em escala global, o cenário também é alarmante: são cerca de 1,9 milhão de diagnósticos anuais e aproximadamente 900 mil mortes. Esses números evidenciam a urgência de ampliar campanhas de conscientização, incentivar o rastreamento precoce e garantir acesso ao diagnóstico e tratamento, sobretudo na rede pública de saúde. O que é o câncer colorretal? O câncer colorretal é aquele que se forma no intestino grosso — mais especificamente no cólon e no reto. Em muitos casos, a doença tem início com pólipos (pequenas lesões benignas) que, ao longo do tempo, podem se transformar em tumores malignos. Por ser uma doença de desenvolvimento lento, os sintomas costumam aparecer somente em fases mais avançadas. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse é o terceiro tipo de câncer mais frequente no Brasil e o segundo que mais mata, ficando atrás apenas do câncer de pulmão. Principais sintomas: fique atento aos sinais Muitas vezes silencioso no início, o câncer de intestino pode apresentar os seguintes sintomas: Sangue nas fezes (visível ou oculto); Alteração persistente no hábito intestinal (diarreia ou constipação); Sensação de evacuação incompleta; Dor ou desconforto abdominal; Perda de peso inexplicada; Fraqueza ou fadiga constante; Fezes finas, em formato de fita. A presença desses sinais deve ser investigada, especialmente após os 45 anos, quando o risco aumenta significativamente. Quem está mais vulnerável? Fatores de risco para o câncer colorretal De acordo com o INCA, os principais fatores de risco são: Idade acima de 50 anos; Histórico familiar de câncer de intestino; Doenças inflamatórias intestinais (como retocolite ulcerativa ou doença de Crohn); Dieta rica em carnes vermelhas e processadas e pobre em fibras; Sedentarismo e obesidade; Consumo excessivo de álcool e tabagismo; Síndromes genéticas como a polipose adenomatosa familiar. Embora existam fatores genéticos importantes, hábitos de vida têm peso considerável no desenvolvimento da doença — o que reforça a importância da prevenção e do rastreamento. Como é feito o tratamento do câncer colorretal? O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode incluir: Cirurgia: Principal método curativo em estágios iniciais e intermediários. Quimioterapia: Utilizada para reduzir tumores, evitar recidivas ou tratar metástases. Os fármacos mais usados incluem 5-fluorouracil, oxaliplatina e irinotecano. Radioterapia: Indicada especialmente para tumores no reto. Terapias-alvo e imunoterapia: Mais modernas, essas abordagens dependem da análise genética do tumor e estão sendo cada vez mais aplicadas, inclusive em casos como o de Preta Gil. Além do tratamento, o rastreamento regular é uma das armas mais poderosas contra a doença. A colonoscopia, por exemplo, permite detectar e remover pólipos antes que eles se tornem cancerígenos. Prevenção é o melhor caminho Embora seja uma doença grave, o câncer colorretal tem altas chances de cura quando detectado precocemente. Segundo o Ministério da Saúde, a realização de exames a partir dos 45 anos (ou antes, em pessoas com histórico familiar) é fundamental. Dicas de prevenção: Adote uma alimentação rica em fibras, frutas e vegetais; Reduza o consumo de carnes vermelhas e processadas; Pratique atividade física regularmente; Evite álcool e cigarro; Mantenha o peso adequado; Faça exames de rotina.