O mais importante, além das trocas de livros, é a interação entre as pessoas e sua relação com as obras (Reprodução) Se os livros contam histórias, também criam histórias no percurso a quem os lê. A partir dessa premissa, o site narratura.com.br amplia o conceito de sebo e da troca e circulação de livros. Criado pelo escritor haitiano Carlile Max Dominique, radicado em Santos, o site já está no ar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Imaginei esse projeto com vários focos: um deles é expor o que a gente carrega com o livro, com a leitura. Como nos impactou esse livro? Onde encontramos esse livro? Como a pessoa se identificou com a leitura, que história você construiu ao ler esse livro?”, enumera Carlile. Assim, quem oferece um livro para doação também é estimulado a contar a sua história, a sua experiência, seja com o livro físico em si ou com a obra. No projeto, essas histórias são tão importantes quanto a contada pelo texto. “Não é só uma troca, tem o trabalho de narrativa, leitura das pessoas. Abriremos um blog para os leitores contarem ainda mais sobre a experiência de leitura delas, não só o livro que a pessoa dá, mas mais amplo”, enfatiza Carlile. Manter contato As redes sociais ocupam cada vez mais espaço – e, sobretudo, tempo – das pessoas. E como afirma Carlile, sem necessariamente cumprir um papel educativo, “porque influenciar não é necessariamente educar” (muitas vezes, pode ser o contrário...). Nesse sentido, o projeto também pretende ajudar as pessoas a manter o contato com o livro físico. “Lendo um livro a gente se silencia, fica quieto. A gente não é só um espectador, como quem assiste um filme. A gente está pensando, reagindo à leitura, ao autor. É uma outra conexão”. Há duas ações possíveis no site: doar ou adotar um livro. Para adotar, deve-se pagar entre R\$ 15,00 e R\$ 30,00, dependendo da obra, para manter o site operando e para despesas de envio. Ao contrário de projetos como o Leia Santos, da Secretaria de Cultura, que circula pela Cidade, ou seja, acaba sendo geograficamente limitado, o Narratura pretende abolir fronteiras e, quem sabe, reunir leitores de todo o Brasil. “Meu sonho é ver nossa comunidade crescer, com centenas, milhares de livros disponíveis, milhares de histórias de gente disponíveis, ocasionar encontros que mudem a vida das pessoas, que criem mais humanidade”, reflete. “Eu só coloquei a base, quem vai nutrir esse projeto são os leitores”.