[[legacy_image_99029]] Ator por mais de 60 anos, Sérgio Mamberti viveu de arte. Sua paixão pelo teatro motivou diversas atividades, tornando-se diretor, produtor, autor, artista plástico e ocupando cargos políticos no Ministério da Cultura. Santista, o ator morreu na madrugada desta sexta-feira (3), aos 82 anos. Ele estava internado com uma infecção nos pulmões e faleceu em decorrência de falência múltipla de órgãos. O enterro aconteceu no Cemitério da Consolação, em São Paulo, onde ele vivia. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O artista nasceu em Santos em 22 de abril de 1939. Formado em artes cênicas pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo em 1961, ele logo fez sua estreia no teatro com a peça Antígone América, escrita por Carlos Henrique Escobar, produzida por Ruth Escobar e dirigida por Antônio Abujamra. Na sequência, juntou-se ao elenco do Grupo Decisão, onde encenou várias peças. O grande destaque foi O Balcão, com que venceu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo como ator coadjuvante em 1969. Estreou nos cinemas em 1966 com a comédia Nudista à Força, de Victor Lima, e participou de vários sucessos, como O Bandido da Luz Vermelha (1968), Toda Nudez Será Castigada (1973), A Hora da Estrela (1985) e A Dama do Cine Shangai (1987). Outro reinado foi nas novelas, em que fez papéis marcantes. Entre as principais, destacam-se As Pupilas do Senhor Reitor (1970), Vale Tudo (1988), Anjo Mau (1998), O Profeta (2007) e Flor do Caribe (2013). Nas séries, ficou conhecido pelo Dr. Victor no Castelo Rá-tim-bum. O carismático personagem conquistou os corações dos brasileiros e segue como uma de suas atuações mais populares. Ao todo, Mamberti é creditado por 94 filmes e séries, sendo seu último papel na televisão o Dom Manfredo em Sol Nascente, de 2016. Mesmo migrando entre diferentes formatos artísticos, Sérgio nunca saiu dos palcos. Junto ao irmão Cláudio Mamberti, participou de várias peças na capital paulista, onde trabalhou com grandes nomes da dramaturgia brasileira. Sérgio viveu grandes personagens do teatro nos anos 1980, seja como Rei Cláudio em Hamlet, de Shakespeare (com organização de Marco Aurélio), ou como Argan na peça Tartufo, clássico de Molière, sob a direção de José Possi Neto. Apaixonado pela obra de Tchekhov — que segundo Mamberti, "antecipou a modernidade no teatro" —, ele estava prestes a estrelar um espetáculo do russo pelo Sesc Pompéia, mas foi impedido pela pandemia. O artista foi homenageado na calçada da fama do Cine Roxy, bem como em diversas sessões de eventos de cinema e teatro da região. Este ano, lançou a autobiografia Sérgio Mamberti: Senhor do meu tempo, onde comentou sua jornada artística apaixonante e detalhes de sua vida pessoal. [[legacy_image_99030]] PolíticaFundador do Partido dos Trabalhadores (PT), Sérgio teve atuação intensa durante os mandatos do ex-presidente Lula. Entre vários cargos ocupados no Ministério da Cultura, presidiu três secretarias: Música e Artes Cênicas, Identidade e Diversidade Cultural, e Políticas Culturais. Mamberti também foi presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), com forte preocupação pela representatividade de diferentes culturas. Ativista e crítico ávido, o ator foi assíduo na defesa da cultura brasileira e na preservação de nossa diversidade.