Textos selecionados foram divididos em temas no livro do cronista (Divulgação) O cotidiano se embrenha nas salas da memória e de lá emerge outra coisa: poesia, mas no formato de boa prosa – o que inclui uma pitada de melancolia e generosas doses de ironia. As crônicas a que o leitor de A Tribuna já se acostumou a ler a cada quinze dias – e muitas outras – agora alçam voos maiores no livro Então Viver É Isso, o quarto de Cássio Zanatta. A obra será lançada sábado (31), às 16 horas, na Realejo Livros (Av. Marechal Deodoro, 2, Gonzaga, Santos). Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Não houve um fio da meada. Procurei adotar dois critérios para a escolha dos textos. Um, mais afetivo: escolhi aqueles que traduzem melhor minhas percepções e valores e que, mesmo se tratando de crônicas, têm a qualidade ou pretensão de não serem tão efêmeros (...) outro, mais objetivo: escolhi os que explicassem ou dessem sentido ao título do livro”, afirma Zanatta, que além de cronista, também já trabalhou em publicidade, como redator e diretor de criação. Com as crônicas escolhidas, o livro foi dividido em temas: Então Viver É Isso, Faz Escuro Mas Eu Canto, Às Vezes Dá um Desânimo e Retalhos, que, como o nome sugere, engloba o que não se encaixaria em qualquer das categorias anteriores. São 54 textos, todos escritos entre 2018 e 2023. “Como eu fiquei muito tempo sem publicar, algumas crônicas ainda são do tempo da pandemia”, pondera. Mas seja da categoria ou da época que for, há na escrita de Cássio pérolas atemporais, que tocam a alma do leitor. Tome-se, por exemplo, Simplificando (da seção Então Viver É Isso): “Simples como o vento de maio. O raciocínio das galinhas. O giro perfeito do pião (...) Ser simples é cortar. Ignorar. Cancelar. Podar. Diminuir. Desfazer. Usar verbos crus e, às vezes, duros”. Escrever é preciso Escrever para viver ou viver para escrever? No caso do cronista, vida e crônica sempre andam de mãos dadas. Eis a pandemia: era o que a vida oferecia. “Impossível a um cronista não escrever sobre isso”, pondera. “Como é ser e estar em um mundo que parou?”. Foram dezenas de crônicas que se afastaram do “passarinho” e da “flor”, como Zanatta diz. Por exemplo, em Há no Ar: “...Isolados, respiramos o hálito cansado que nos mantinha vivos, mas que, agora, parece nos paralisar”. Na pandemia, os tempos foram sombrios, a incerteza era a palavra. Mas seja qual for a vida que se apresenta, se o teor da escrita acaba por espelhá-la, a forma do escrever será sempre uma incógnita. Com a palavra, o cronista: “É um mistério. A gente não sabe. É esse caboclo escrevinhador que desce. É uma entidade que baixa (e a gente escreve). Às vezes gosta, às vezes joga fora”.