"Ainda Estou Aqui", de Valter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025 (@valentinaherszage) O cinema brasileiro chega ao Oscar de 2026 com cinco indicações, quatro para o filme "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, e uma para Adolpho Veloso, que concorre a Melhor Fotografia por "Sonhos de Trem", ampliando uma trajetória que começou há oito décadas. Ao todo, o Brasil soma 24 nomeações ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, distribuídas entre música, atuação, direção, roteiro, fotografia, documentário e filme internacional. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A primeira indicação ocorreu em 1945, quando a música “Rio de Janeiro”, de Ary Barroso, foi indicada a Melhor Canção Original no filme “Brazil”. A composição ajudou a consolidar a música brasileira no mundo em plena era da política da boa vizinhança. O Brasil voltaria ao Oscar 18 anos depois, com o filme “O Pagador de Promessas” (1962), dirigido por Anselmo Duarte. O longa-metragem concorreu em 1963 a Melhor Filme em Língua Estrangeira, hoje Melhor Filme Internacional. O título da categoria foi alterado dentro da política inclusiva da Academia. O drama já havia conquistado a Palma de Ouro em Cannes e se tornou um dos maiores símbolos do cinema brasileiro no exterior. Nos anos 1980, o país apareceu na disputa principal com “O Beijo da Mulher-Aranha", de Hector Babenco. A coprodução Brasil-Estados Unidos recebeu quatro indicações em 1986 — Filme, Direção, Roteiro Adaptado e Ator — e rendeu ao protagonista William Hurt a estatueta de Melhor Ator, o primeiro Oscar ligado diretamente a uma produção comandada por um diretor brasileiro. A retomada do cinema nacional nos anos 1990 levou novos títulos à premiação. “O Quatrilho”, de Fábio Barreto, foi indicado a Melhor Filme Internacional em 1996, seguido por “O Que É Isso, Companheiro?”, de Bruno Barreto, em 1998. O reconhecimento internacional se ampliou no ano seguinte com “Central do Brasil”, dirigido por Walter Salles. O longa recebeu duas indicações em 1999: Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz para Fernanda Montenegro — primeira latino-americana indicada na categoria. A atuação da atriz se tornou um dos momentos mais celebrados da história do cinema brasileiro. Na década seguinte, o país voltou ao Oscar com “Uma História de Futebol”, curta de Paulo Machline indicado em 2001, e com o aclamado “Cidade de Deus”. O filme, dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund recebeu quatro indicações em 2004 — Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem — e se tornou a primeira produção 100% brasileira a disputar tantas categorias técnicas e artísticas na mesma edição. Só não concorreu ao Oscar de Melhor Filme Internacional por um erro na inscrição. Dá para acreditar?! Outros trabalhos ampliaram a diversidade de áreas representadas pelo país. O documentário “Lixo Extraordinário” foi indicado em 2011; a animação “Rio”, de Carlos Saldanha (A Era do Gelo), concorreu em 2012 com a canção “Real in Rio”, de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown; e o longa-metragem animado “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, disputou o prêmio de Melhor Animação em 2016. Em 2020, o documentário político “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, levou novamente o país à lista de indicados, consolidando a presença brasileira também no gênero documental. A trajetória ganhou um marco histórico recente com “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles. O longa recebeu três indicações em 2025 nas categorias de Filme, Filme Internacional e Atriz para Fernanda Torres. Conquistou a estatueta de Melhor Filme Internacional, garantindo a primeira vitória do Brasil nessa categoria, além do marco de ser a primeira produção brasileira indicada ao prêmio principal, de Melhor Filme. Em 2026, o país volta a figurar entre os indicados com cinco nomeações. O thriller político “O Agente Secreto” concorre a Melhor Filme, Filme Internacional, Elenco e Ator para Wagner Moura. Já o drama norte-americano “Sonhos de Trem” rende ao diretor de fotografia Adolpho Veloso uma indicação inédita para o país na categoria de Fotografia. Em análise, com 24 indicações somadas, o Brasil mantém uma presença discreta, porém constante na principal premiação do cinema mundial. Uma trajetória marcada por momentos históricos, como a indicação de Fernanda Montenegro, o reconhecimento internacional de Cidade de Deus e a vitória recente de Ainda Estou Aqui. Agora, com cinco novas chances em 2026, o país volta a alimentar a expectativa de ampliar sua coleção de estatuetas. A cerimônia de entrega do Oscar será realizada neste domingo, a partir das 20h (horário de Brasília), no tradicional Dolby Theatre, em Los Angeles, na Califórnia (EUA), com transmissão ao vivo pela TV Globo, TNT e Max. Indicações do Brasil ao Oscar (1945–2026) 1945 — Melhor Canção Original — “Rio de Janeiro”, de Ary Barroso, do filme Brazil. 1963 — Melhor Filme Internacional — O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte. 1986 — Melhor Filme — O Beijo da Mulher-Aranha. 1986 — Melhor Direção — Hector Babenco, por O Beijo da Mulher-Aranha. 1986 — Melhor Roteiro Adaptado — Leonard Schrader, por O Beijo da Mulher-Aranha. 1986 — Melhor Ator — William Hurt, por O Beijo da Mulher-Aranha — VENCEDOR 🏆. 1996 — Melhor Filme Internacional — O Quatrilho, de Fábio Barreto. 1998 — Melhor Filme Internacional — O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto. 1999 — Melhor Filme Internacional — Central do Brasil, de Walter Salles. 1999 — Melhor Atriz — Fernanda Montenegro, por Central do Brasil. 2001 — Melhor Curta-Metragem em Live Action — Uma História de Futebol, de Paulo Machline. 2004 — Melhor Direção — Fernando Meirelles, por Cidade de Deus. 2004 — Melhor Roteiro Adaptado — Bráulio Mantovani, por Cidade de Deus. 2004 — Melhor Fotografia — César Charlone, por Cidade de Deus. 2004 — Melhor Montagem — Daniel Rezende, por Cidade de Deus. 2011 — Melhor Documentário — Lixo Extraordinário. 2012 — Melhor Canção Original — “Real in Rio”, de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, do filme Rio. 2016 — Melhor Filme de Animação — O Menino e o Mundo, de Alê Abreu. 2020 — Melhor Documentário — Democracia em Vertigem, de Petra Costa. 2025 — Melhor Filme — Ainda Estou Aqui, de Walter Salles. 2025 — Melhor Filme Internacional — Ainda Estou Aqui, de Walter Salles — VENCEDOR 🏆. 2025 — Melhor Atriz — Fernanda Torres, por Ainda Estou Aqui. 2025 — Melhor Roteiro Adaptado — Ainda Estou Aqui, roteiro de Murilo Hauser e Heitor Lorega. 2026 — Melhor Filme — O Agente Secreto. 2026 — Melhor Filme Internacional — O Agente Secreto. 2026 — Melhor Roteiro Original — O Agente Secreto. 2026 — Melhor Ator — Wagner Moura, por O Agente Secreto. 2026 — Melhor Fotografia — Adolpho Veloso, por Sonhos de Trem.