<div style="clear:both;"> <p class="p-smartimagebox"><img attr-cid="policy:1.436637" attr-version="policy:1.436637:1728088170" class="p-smartimage" src="/image/policy:1.436637/Design sem nome - 2024-10-04T212928.043.jpg?f=3x2&w=400&q=0.3" /><br /> <span class="p-smartcaption">Flavio Medeiros (à esquerda) trabalha desde 1991 na composição de jingles políticos e fez cerca de 15 para campanha deste ano. Cedric Marinho (à direita) fez aproximadamente 20 'musiquinhas' para as eleições 2024 e já trabalha há mais de 30 anos na área (Arquivo Pessoal)</span></p> <p paraeid="{975698a7-e81c-42d9-85ae-9f70c3770ff4}{235}" paraid="903562762" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Independente do partido ou candidato, uma coisa é fato. As musiquinhas (jingles) ficam na cabeça de </span>todos os eleitores e estão presentes praticamente em todas as campanhas. Na véspera de mais uma eleição municipal, <strong>A Tribuna</strong> conversou com dois profissionais da área para entender por que essas melodias ficam tão marcadas na memória das pessoas. </p> <p paraeid="{975698a7-e81c-42d9-85ae-9f70c3770ff4}{235}" paraid="903562762" xml:lang="PT-BR"><a href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9JSFuGehEFvhalgZ1n" style="color: rgb(0, 136, 204); text-decoration-line: none; font-family: "Lucida Grande", "Lucida Sans", geneva, arial, sans-serif; font-size: 12px; background-color: rgb(238, 238, 238);">Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp!</a></p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{9b74856b-0574-4db3-8ad2-1e8a68b9484f}{148}" paraid="439939275" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O compositor, pianista, engenheiro de </span>som, produtor musical e sound designer santista Flavio Medeiros, de 52 anos (que mora atualmente em Portugal), compôs trilhas sonoras até para Hollywood (trailers de: Velozes e Furiosos 7, Minions, Cinquenta Tons de Cinza, Drácula: A História Nunca Contada, entre outros). Ele trabalha desde 1991 nas campanhas eleitorais, e fez cerca de 15 jingles para as eleições deste ano.</p> <p paraeid="{9b74856b-0574-4db3-8ad2-1e8a68b9484f}{148}" paraid="439939275" xml:lang="PT-BR">Medeiros contou sobre a importância dos jingles para os políticos: “O jingle é para um candidato, o mesmo que o hino nacional para uma nação. É uma forte representação de um perfil pessoal e profissional, além de que, se feito corretamente, ele transmite muito mais do que a letra da música pode citar. Transmite as ideias, o caráter, a descendência, o coração e muito mais. Deve-se levar em conta que o candidato e a sua música, são como um espelho do que ele quer e poderá fazer pelo eleitor no futuro”, explicou. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{19b752ed-f4c3-403c-af3a-ba227fb486e1}{43}" paraid="1010766226" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Para ele, fazer a população </span>cantar junto é um elemento musical inevitável. Porém, fazer uma música fácil demais não representa tudo que um candidato é de verdade, e muitas vezes demonstra que o candidato "subestima" o eleitor. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{190e7fcc-3fe4-4fd8-be20-4194f79eeb1e}{224}" paraid="1554621688" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O importante, segundo Medeiros, é produzir </span>uma música de alto nível, respeitando o eleitor, com qualidade musical e verdade. “Aliás, o povo sabe, e dá pra perceber claramente quem quer se passar pelo que não é. O Jingle se destaca por ser mais longo e com isso cria uma empatia melhor com o ouvinte, mas uma boa música é sempre uma boa música mesmo em um idioma desconhecido”, afirmou. </p> <p class="p-smartimagebox"><img attr-cid="policy:1.436639" attr-version="policy:1.436639:1728088398" class="p-smartimage" src="/image/policy:1.436639/Design sem nome - 2024-10-04T213319.911.jpg?f=3x2&w=400&q=0.3" /><br /> <span class="p-smartcaption">Os dois compositores e especialistas na área já trabalham há mais de 30 anos na área e já conquistaram diversos prêmios (Arquivo Pessoal)</span></p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{94b72bb1-61a4-4288-b24c-ac1a5ff673cb}{81}" paraid="1651364418" xml:lang="PT-BR"><b>Como se faz</b><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Antes das ‘musiquinhas’ irem para o ar, existe um passo a passo, desde a sua criação, desenvolvimento e publicação. De acordo com o composit</span>or, primeiramente, os assessores dos candidatos fazem o contato, pedindo informações com custos e prazos de entrega. "Uma vez aprovado o orçamento inicial, eu colho informações sobre o candidato e seu perfil, e cruzo com outras informações que são anseios do marketing da campanha. Estando em sincronia com os objetivos de produção e perfil, eu componho e produzo uma amostra inicial já bem avançada e apresento para aprovação, e eventuais ajustes na letra se necessário for”, explicou. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{675412a8-e33d-4beb-b75f-5b0f5cfab25e}{170}" paraid="491344878" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Aprovado a amostra, o </span>jingle volta para estúdio e ele é gravado com todos os intérpretes e músicos. Depois, é feito o trabalho de pós-produção e mixagem/master do som. Por fim, ele é entregue. "Esse processo normalmente pode levar de 15 a 25 dias, mas já o realizei em menos de 48 horas”, contou </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{94b72bb1-61a4-4288-b24c-ac1a5ff673cb}{165}" paraid="934659116" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">IA</span> </strong><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Do ponto de vista de</span> Medeiros, este ano, o mercado se manteve normal comparado às eleições anteriores, apesar da inteligência artificial ter crescido no mercado recentemente. “Mesmo a 'IA' sendo um recurso para aqueles com pouca criatividade e pouco caixa, ela não afetou a procura e efetivação dos trabalhos por quem busca um diferencial na qualidade do resultado. Eu prefiro fazer poucos jingles, mas jingles memoráveis pois estes ficam na cabeça e marcam não apenas o candidato, mas também o meu portifólio”, contou. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{94b72bb1-61a4-4288-b24c-ac1a5ff673cb}{198}" paraid="982062523" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Ideologias diferentes</span> </strong><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Ele também não deixa de compor ou </span>produzir para ninguém, mesmo que sejam concorrentes dentro de uma mesma cidade. “Somente se diz não a uma produção quando o pedido da campanha é o mesmo entre os candidatos. Tipo, dois candidatos querem o mesmo estilo musical, tem o mesmo briefing e intenção de mensagem. Já fiz jingles para 5 candidatos à prefeitura de Santos, ao mesmo tempo, em uma mesma campanha. E isso só foi possível por conta dos distintos pedidos, que com o cuidado artístico e técnico necessários, resultaram em peças musicais diferentes, com propostas diferentes, vozes, estilos, e informações diferentes. Se fossem iguais eu recusaria fazer, por pura ética profissional”, explicou. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{c4bb6458-fd80-409b-8550-b1c7bf4a637b}{140}" paraid="1391444344" xml:lang="PT-BR"><strong>Cedric Marinho</strong><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O compositor de trilhas, spots, comerciais, produtor musical, músico</span>, de São Paulo, Cedric Marinho, de 54 anos, que mora há quase 40 na Baixada Santista, e tem 80 prêmios publicitários - entre eles 6 Profissionais do Ano Da Globo na categoria Região Sudeste e 5 Grand Prix nos Festivais de Publicidade da App Ribeirão Preto- trabalha há 32 anos com jingles políticos e fez cerca de 20 para a campanha deste ano.</p> <p paraeid="{c4bb6458-fd80-409b-8550-b1c7bf4a637b}{140}" paraid="1391444344" xml:lang="PT-BR">Ele disse que mesmo com clientes de ideologias e partidos diferentes, atende a todos, e isso não gera conflito. "Eu costumo comparar o publicitário com um médico. Quando chega para a gente um caso, que no caso é um problema de comunicação a ser resolvido com um jingle, a gente faz o nosso melhor, presta o melhor trabalho, dentro de uma ética. Qual seria essa ética? A gente não mistura as bolas, a gente não passa a informação de uma campanha para outra. Eu respeito a posição do candidato e as orientações que eles passam para a gente para fazer a peça publicitária. Então eu entrego o meu melhor dentro daquela vertente do candidato. Se outro pleiteante de outra vertente me procurar, eu vou entregar também o melhor que eu posso dentro do meu trabalho naquela vertente que ele quer”, relatou. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3a373280-3531-47b9-b07f-798234a831c8}{89}" paraid="1639141135" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR"><strong>Segredo profissional</strong><br /> Ainda, segundo ele,</span> outra ética muito importante é não passar uma informação de uma campanha para outra. É como um advogado com um cliente. O que é passado para o advogado, fica entre cliente e advogado. No meu caso, que é passado uma campanha num briefing para a gente produzir, fica naquela campanha. Aí outra campanha tem outro briefing, outras informações, e você tem que respeitar essa linha, senão você perde credibilidade do mercado”, explicou. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{42eb53c4-9a41-471e-8ff7-b0341a2dc6c1}{66}" paraid="127374356" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Afinal, qual o segredo?</span> </strong><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Para Marinho, o segredo do jingle ficar na memória das pessoas, é ele ser fácil, simples e </span>ter um refrão muito forte. “No caso de vereador, o importante é nome e número, é o que a gente mais bate numa campanha para vereador: para escolher o estilo musical, a letra, a gente vê qual o perfil do eleitor dele, onde que ele vai focar a eleição dele, que tipo de público, para escolher o estilo musical. A letra vem da plataforma política e aí a questão do refrão é nome e número muito forte numa melodia muito fácil para ficar na cabeça das pessoas”, explica.</p> <p paraeid="{42eb53c4-9a41-471e-8ff7-b0341a2dc6c1}{66}" paraid="127374356" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Segundo ele, o jingle se destaca dos demais tipos de propaganda. “Ele é importante porque fixa mais rápido na cabeça do eleitor. A música facilita isso. Ela é muito facilmente assimilável. Quando a pessoa gosta do estilo musical, da melodia e é um refrão que se repete, você grava aquela informação”, explicou.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{f69c1722-8257-4804-ab16-ec7ce3d278ca}{106}" paraid="1166332115" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Apesar de hoje em dia, não poder mais por lei ser usado o carro de som, isso não afetou o uso e a importância dessas ‘musiquinhas'</span>. “Antigamente você tinha um carro de som rodando. Hoje em dia o som é só em carreatas, eventos oficiais do candidato ou em ações que o candidato está presente. Então é mais reduzido. Porém, na rede social você pode tocar o jingle e, a rede social hoje em dia está sendo o foco dessas eleições”, explicou </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{a018d0d5-fe2a-45c3-8b67-4c1febcea24c}{148}" paraid="71272344" xml:lang="PT-BR">Quem faz jingle e está usando na rede social. está se beneficiando, até porque, segundo ele, atualmente, nos stories, nos reels, os vídeos são muito curtos. “O jingle é uma música curta, então ela se adapta muito bem nessa mídia. Você consegue fazer um jingle excelente para tocar em 15 segundos e passar sua mensagem inteira, nome, número, proposta, slogan, na sua comunicação”, finalizou.</p> </div>