(Reprodução/Instagram) A música santista perde um de seus grandes nomes. Roberto Tranzillo Mendes, conhecido como Roberto Biela, cantor, tecladista e percussionista, morreu ontem, vítima de um câncer no pulmão, aos 63 anos. “Em 17 de novembro, tocamos no aniversário da filha dele, ele reclamou de dor nas costas. Um mês depois, ele foi internado”, relata o jornalista, músico e colunista de A Tribuna, Julinho Bittencourt. Em 1984, os dois, ao lado de um primo de Julinho, fundaram um dos mais icônicos bares da Cidade: o Torto. “Foi o pai dele, seu Nei, que deu o nome ao bar, por estar em um dos prédios mais inclinados da orla (na esquina do Canal 4 com a praia)”, relembra Julinho em uma crônica de 2020. O Torto nasceu pelo sucesso da banda de ambos, que tinha ainda Luiz Cláudio de Santos, que já embalava a noite da Cidade: a Jornal do Brasil. “A gente tocava, os lugares enchiam. Aí esse meu primo, Alfredo, deu a ideia: ‘vamos abrir um bar?”. Inquieto, depois de alguns anos, Biela deixou o Torto e ganhou o mundo: fez várias viagens ao Japão, depois foi à Espanha, levando a música brasileira. Versátil, tocava tudo de percussão – aprendida em boa parte nos ensaios da escola de samba Brasil –, além do canto. Especializou-se na obra de Chico Buarque, sendo capaz de interpretar todo o repertório. De volta ao Brasil, fixou-se em São Paulo, onde continuou a tocar na noite. Além da filha, Gabriela, ele deixa a esposa, Eli. “Perdi um irmão de toda a vida”, resume Julinho.