Com o EP Samba Consciente, MC Staylon soma mais de 105 mil seguidores e segue viralizando nas redes sociais (Arquivo Pessoal) MC Staylon mora em Cubatão, na Baixada Santista, e tem viralizado na internet com letras que falam de justiça social, conscientização e da realidade das periferias. No funk consciente, ele transforma a própria vivência em narrativa, usando a música como ferramenta de reflexão. “Minha história começou de verdade aqui”, resume. Natural de Sobradinho, na Bahia, foi aos cinco anos que chegou à cidade, onde construiu sua identidade artística e pessoal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Infância na periferia de Cubatão Criado na Vila Esperança, bairro frequentemente associado à violência, abandono e risco social, MC Staylon cresceu em um território marcado pela precariedade. “Ali, o crime não aparece como escolha, aparece como cenário”, conta. Desde cedo, viu amigos serem presos, outros morrerem antes da vida adulta e famílias se desmontarem. A cadeia e a morte deixaram de ser notícia distante e passaram a fazer parte do cotidiano. Foi vivendo isso de perto que ele entendeu que aquele caminho podia até ser comum, mas não precisava ser o seu destino. “Se eu continuasse no mesmo rumo, o final já estava escrito. Eu me recusei a aceitar esse roteiro”, afirma. A música como abrigo e missão Romper com o ciclo foi uma decisão difícil e solitária. A música surgiu primeiro como abrigo, depois como identidade e, mais tarde, como missão. Em Cubatão, MC Staylon formou sua visão artística ouvindo quem falava com verdade sobre a realidade das ruas, especialmente artistas que levavam mensagem, consciência e alerta. “O que me atravessava não era só o som, era a verdade do que estava sendo dito”, conta. Mesmo sabendo que não cantava bem no início e que sua escrita ainda era crua, ele persistiu. “Eu errava, observava, aprendia e continuava”, relembra. Ainda jovem, escreveu uma letra para um time de várzea, o VK, do bairro Sítio Novo, que virou hino cantado em todos os jogos. “Ali eu percebi que minhas palavras carregavam verdade, e verdade cria pertencimento.” Contra a lógica do mercado Entre 2013 e 2015, durante a ascensão de letras vazias e sem reflexão, MC Staylon tentou se encaixar, mas sentia incômodo. “Aquilo não me representava, não dialogava com a minha vivência.” Inspirado por Conexão Baixada e Charlie Brown Jr., decidiu seguir na contramão, apostando no funk consciente e no discurso de transformação social. O maior ponto de virada veio com a paternidade. “Quando meu filho nasceu, tudo mudou. Eu entendi que não bastava escapar do ciclo, era preciso rompê-lo.” A responsabilidade deixou de ser apenas pessoal e passou a ser legado. Viralização e independência artística Ao lado do DJ M4, parceiro de longa data, MC Staylon passou a compor para outros artistas e entendeu que sua maior força estava em contar histórias reais, sem romantizar o crime. Como a música não pagava as contas, estudou marketing por conta própria, aprendeu sobre engajamento, algoritmo e viralização. “Testei tudo em mim mesmo.” Os resultados vieram com vídeos que ultrapassaram 1 milhão de visualizações e, depois, com uma música sobre a pandemia que chegou a 3 milhões de reproduções. Mesmo enfrentando bloqueios do mercado e recusando contratos que não representavam seus valores, manteve a independência. “Quem bate um milhão, bate dois, bate três”, diz. -instagram (1.492857) Hoje, com o EP “Samba Consciente”, MC Staylon soma mais de 105 mil seguidores e segue viralizando nas redes sociais com letras sobre justiça social, consciência e rompimento de ciclos. “Eu não canto para agradar o mercado. Eu escrevo para romper ciclos”, define. Para o futuro, ele já tem em mente tudo que espera. "Meu sonho é ser um artista que mude vidas com a música. Dinheiro é relativo, vem com esforço e trabalho. Eu quero ser uma pessoa que inspire, e seja uma referência", finaliza.