Do lançamento do único álbum ao trágico fim foram apenas nove meses intensos: a conquista do Brasil (Fernando Sampaio/Arquivo Estadão Conteúdo) O acaso vem marcado em cartas de tarô. A frase é da canção Escrito nas Estrelas, de 1985, interpretada por Tetê Espíndola. Na música, nada mais distante dos Mamonas Assassinas. Na vida, nem tanto: com ou sem o tarô, o acaso teve um papel central no começo e no fim da banda. Hoje, faz exatos 30 anos da tragédia que vitimou Dinho (vocais), Bento Hinoto (guitarra), Júlio Rasec (teclados), Samuel Reoli (baixo) e Sérgio Reoli (bateria). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Tudo começou em 1989, em Guarulhos, sem qualquer sombra de mamonas, muito menos assassinas. Sérgio e Bento fundaram a Utopia, ainda sem os outros integrantes. A banda tocava covers do rock Brasil dos anos 80. Em um show em 1990, a plateia pediu Sweet Child o’Mine, do Guns N’Roses. Como ninguém falava inglês, perguntaram se alguém da plateia cantaria. Um rapaz levantou o braço: era Dinho. Em 1992 lançam o disco Utopia, com canções sérias. Nada aconteceu. Consta que em um ensaio despretensioso, em 1994, a veia humorística surgiu. Os jovens se entreolharam e... por que não? Com Pelados em Santos, que nasceu em Praia Grande, e Robocop Gay, rumaram ao antigo estúdio do produtor Rick Bonadio, em São Paulo, para gravar uma demo. “Foi a coisa mais engraçada que ouvi na vida”, disse Rick à Revista Brasileiros, em 2014. Nasciam os Mamonas Assassinas e entrava em curso uma revolução. Lançado em junho de 1995, o primeiro e único álbum vendeu 3 milhões de cópias. Em todos os gostos Além da música, o visual escrachado, que variava das roupas de presidiário às do Chapolin Colorado, conquistou não só o público jovem, mas também as crianças – e a reboque, toda a sociedade parou pra ver e ouvir. “Aparentemente, o fenômeno Mamonas demarcou uma tendência diferenciada na canção infantil, pela qual o visual clean e as letras inofensivas de apresentadoras (como Angélica, Xuxa e Eliana) foram substituídas pela incorreção política (e gramatical), pelas expressões de duplo sentido e pela aparência quase ofensiva de figuras como Tiririca e ET & Rodolfo”, escreveu o doutor em Ciências da Comunicação Eduardo Vicente, no artigo Segmentação e Consumo: A Produção Fonográfica Brasileira (1965-1999). O artigo pode ser lido no link. Sucesso e tragédia Foram nove meses intensos: programas de rádio e televisão, jornais, revistas e shows em cada canto do País. Para dar conta, o grupo fretou o jatinho Learjet 25D, prefixo PT-LSD. Em 2 de março de 1996, eles retornavam a Guarulhos de uma apresentação em Brasília. Às 23h16, o piloto arremeteu após tentar o pouso. A manobra levou a aeronave a se chocar com a Serra da Cantareira. No dia do acidente, em um depoimento gravado, Júlio disse que havia sonhado com um acidente aéreo. Em várias ocasiões, o grupo fez brincadeiras sobre isso. Certa vez, em entrevista ao Top 20 da MTV, Dinho afirmou que os Mamonas não lançariam um segundo disco: “Vamos fazer um show no interior e vamos de monomotor”. "Pelados em Santos" O hit Pelados em Santos nasceu em Praia Grande. É o que conta o historiador Cláudio Sterque, em matéria publicada no site de A Tribuna em 16 de junho do ano passado. Dinho teve a ideia ainda em 1991, quando passou final de semana na Vila Caiçara. “A música foi inspirada no primo dele, que é da Bahia. Foi devido ao forte sotaque baiano dele, que chamava atenção enquanto abordava as meninas na praia”, contou.