Para os povos indígenas, existem muitos encantados (Reprodução) Os encantados não são folclore. São seres espirituais presentes nas cosmovisões indígenas e devem ser respeitados dessa maneira. Cada qual com sua crença. Não podemos mais apagar as culturas indígenas e africanas, tão presentes na formação da cultura brasileira, chamando de lendas aquilo que, para seus povos, faz parte de uma visão de mundo e de uma relação espiritual com a natureza. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os seres do mundo invisível, celestial ou seja lá o nome que cada fé lhes dê são muitos, assim como são muitas as culturas e as formas de compreender o mundo. Para os povos indígenas, existem muitos encantados, que podem se manifestar com maior presença em determinados territórios. Entre os mais conhecidos estão Jaxy Jatere, associado ao Saci; a Mãe d’Água; o Kurupira; a Kaipora e a Mati Tapere. Entre os diversos seres encantados das cosmovisões indígenas, há a figura de uma mulher indígena que pode aparecer como moça ou como uma mulher mais velha: a Cumadi Fulôzinha. Mais conhecida na Região Nordeste, esse ser vive na mata e protege tanto aqueles que chegam com respeito quanto os animais e a própria natureza. Já quem maltrata a mata pode receber uma lição. Os antigos costumavam levar para a floresta um pouco de fumo ou mesmo comida para oferecer a ela, em troca de proteção. Quem mangava dela ou duvidava de sua existência podia se dar mal: coceiras provocadas por urtigas, caminhos que pareciam desaparecer, encontros indesejados com cobras e aranhas. Mexer com a Cumadi era susto na certa! O contador de histórias e escritor Givanildo Manoel da Silva, o Giva, lançou uma obra em homenagem a essa personagem tão presente na memória e na tradição oral nordestina. Indígena, educador e articulador cultural, Giva vive há nove anos em João Pessoa (PB), onde atua na formação, na produção cultural, na defesa dos direitos humanos e na articulação de iniciativas sociais e culturais. Sua escrita traz as memórias de quando ouvia o avô falar da Cumadi Fulôzinha e vem acompanhada de uma prosa espichada, dessas que só um contador de histórias sabe tecer, articulando palavras, gestos e imagens na nossa mente. O livro é ilustrado por Ariana Atanazio e foi publicado pelo próprio autor, com apoio do Fundo Municipal de Cultura de João Pessoa, na Paraíba. Uma leitura que vale a pena para quem quer conhecer um pouco mais das narrativas e das cosmovisões indígenas que atravessam a cultura brasileira. Para adquirir o livro, é possível entrar em contato pelo Instagram @givaescritor. Recomendo!