Todos os dias, a menina aprendia novas e divertidas maneiras de abraçar cores e formas (Reprodução) Você já se perguntou como é a percepção das cores para quem é deficiente visual? Por que as pessoas, quando fazem autodescrição, falam as cores de suas roupas para quem não as vê? Todo esse questionamento é trazido na obra A Menina que Sentia as Cores, livro de estreia de Eduardo Ponce, lindamente ilustrado por Juliane Engelhardt, publicado pela Florear Livros. Quem perdeu a visão apela para a memória visual pré-existente. Quem nasceu cego não tem uma noção visual de cores, mas pode ter um entendimento intelectual delas através do toque, audição, paladar, olfato e associações feitas com objetos e conceitos. Assim, descobrimos que as pessoas com deficiência visual entendem cores de diversas formas: através de descrições verbais associadas a outros sentidos e experiências. Por exemplo, o sabor de uma fruta amarela, geralmente mais ácida, como o abacaxi, a textura de um tecido, ou ainda um cheiro específico. Elas fazem essas associações baseadas no que outras pessoas passam para elas e memorizam. Assim é a menina do livro: ela ouvia e sentia as cores de diferentes formas. A chuva tinha cheiro de terra molhada e de bolinho de chuva que a vovó fazia. Com as pontas dos dedos, podia sentir as cores de um jeito só dela. Assim, a cor do cachorro caramelo, era, para ela, a cor da felicidade. Todos os dias, a menina aprendia novas e divertidas maneiras de abraçar cores e formas. Cores quentes, doces, salgadas, azedas, macias, ásperas... Há várias formas de explorar o mundo. A menina tinha muita coisa a aprender-sentir. Assim como este livro despertou em mim muita curiosidade sobre procurar sentir para aprender com todos os sentidos, tato, audição, olfato, paladar... A obra é um convite para estimular nas crianças a percepção de outras formas de ver o mundo. Que associações elas fariam com paladar, tato e olfato para as cores do nosso mundo? Elas conhecem o método da linguagem Braille? Convivem com pessoas com deficiência visual na família ou na comunidade? Que tal falarmos sobre inclusão e todos os tipos de deficiência, a partir de uma história que nos transforma? Deixo aqui o convite. Boa leitura! Serviço: A menina que sentia as cores; 32 páginas, R\$ 70,00