José Loreto encarnou Chorão em vários pontos da região, inclusive em pista de skate em São Vicente (Ariela Buano/Divulgação) Com roupas largas, estilo e trejeitos inconfundíveis, sempre acompanhado do skate e com vontade de curtir a orla de Santos, o ator carioca José Loreto mostrou que realmente encarnou um dos maiores nomes do rock nacional: Chorão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Tribuna acompanhou de perto a gravação de cenas do filme Chorão: Só os Loucos Sabem, previsto para ser lançado em 2026. A reportagem também conversou com Loreto e com um dos produtores do longa. As cenas foram gravadas na Ponta da Praia, em Santos, no final de agosto, e já deram um gostinho do que vem por aí. Nelas, o ator mostrou desenvoltura sobre o skate — algo natural para Chorão. Também foi possível ver um pouco do romance entre o músico e Graziela Gonçalves, interpretada pela atriz Nanda Marques. Livro O filme é inspirado no livro Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz? – Minha História de Amor com Chorão, escrito por Graziela, que foi casada com o artista por quase 20 anos. Inicialmente, o longa teria o mesmo título da obra, mas ele foi alterado durante as gravações. Para A Tribuna, Loreto, que já viveu o lutador José Aldo nos cinemas e se destacou em novelas da Globo como Malhação, Avenida Brasil, Flor do Caribe, Rancho Fundo, Pantanal e Vai na Fé, contou que sua admiração por Chorão vem de longa data. -fotos loreto (1.483941) Fã da banda “Eu sou de 1984, daquela molecada fã do Chorão desde sempre. Já tinha me encontrado com ele em 2005, quando fiz meu primeiro trabalho: Malhação. Tinha 20 anos, ele passou por lá porque cantava a música-tema, e eu já era muito fã. Depois que ele faleceu, passou um tempo e eu corri atrás. Falei: ‘cara, eu sou ator, não sou produtor, mas gostaria muito de fazer esse filme’. Então, dei uma corrida atrás”. Loreto disse que esperou o momento certo para que tudo acontecesse. O papel, que se tornou uma das grandes ambições de sua carreira, finalmente chegou. “Quando veio o convite para fazer o teste, eu já sabia que o papel era meu. Comecei a andar de skate, a cantar as músicas, a decorar, a me preparar, antes mesmo da produção começar. Foi algo muito natural.” Um dos grandes amores de Chorão não era apenas a música, mas também o skate. “Andei um pouco na adolescência, depois parei. Antes de fazer o teste, já estava indo para o Parque Ibirapuera, comprei um skate e voltei a andar. É meio que igual bicicleta, a gente não esquece, sabe? Acho que estou andando superbem, considerando o pouco tempo de preparação. Mas o Chorão era especialista, campeão de freestyle. O mais importante é pegar a energia. A galera que anda de skate vai perceber que não sou leigo, que tenho base, que meu corpo tá à vontade. O skate vira uma extensão”, destacou Loreto. Identificação imediata com a cidade Nascido em Niterói (RJ), Loreto não escondeu o carinho por Santos. “Acho impressionante a sincronicidade das coisas. Niterói é uma província do Rio, fica do outro lado da ponte, uma cidade litorânea onde todo mundo se conhece. Acho que Santos tem esse mesmo clima: é o litoral da província de São Paulo, tem personalidade própria. De toda a Grande São Paulo, Santos tem uma cor diferente. A personalidade das pessoas aqui me lembra muito o Rio, principalmente minha terra natal, Niterói — cidadezinha onde todo mundo se conhece, onde têm os grupos, as festas, as encrencas, a curtição. É muito parecido.” Foi tanto o seu carinho pela Cidade e principalmente por Chorão, que o ator revelou que veio antes do filme ser rodado. “Peguei chuva na estrada, uma bênção. Saí do túnel, já estava limpo. Fui direto ao memorial do Chorão pedir bênção e agradecer. Tô amando Santos! Queria que o filme fosse todo aqui, mas temos outras locações em São Paulo. Mesmo assim, estou vivendo intensamente em Santos.” Filme já foi gravado, maioria na Baixada O produtor Fabio Zavala contou que era imprescindível gravar várias cenas em Santos, cidade onde Chorão se consagrou. “A gente fez uma grande pesquisa de locações para ser o mais fiel possível. Meu escritório é na praia, estou sempre por aqui... então buscamos lugares emblemáticos. Mesmo sabendo que muita coisa mudou. Queremos mostrar a aura santista, o espírito da época. Fomos muito bem recebidos pela Santos Film Commission e tivemos apoio local. Das seis semanas de filmagem, três delas são em Santos”. Só no dia de gravações na Ponta da Praia, cerca de 150 pessoas estavam trabalhando. “É uma equipe grande, que move o cinema: arte, figurino, maquiagem, elétrica, fotografia, direção, produção. É uma engrenagem que não pode parar. A gente se preparou muito para isso.” Dirigido por Hugo Prata e Felipe Novaes, dupla que dirigiu o documentário Chorão: Marginal Alado, o filme foi filmado entre agosto e outubro, em vários pontos de Santos e São Vicente, como nas praias, parques e pistas e, em locais fechados em São Paulo. O longa é produzido pela Bravura Cinematográfica, com coprodução da Globo Filmes e Telecine, e distribuição da Downtown Filmes. Além de Loreto e Nanda, o elenco conta ainda com Pedro Tirolli, Kiko Marques, Georgette Fadel, Leopoldo Pacheco, Lara Córdulla, Ondina Cais, Marcelo Várzea, Felipe Souza, Thiago Briant, PH Azevedo e Rafael Lozano. Show O encerramento das filmagens ocorreu em 1º de outubro, durante um show da banda DZ6, cover oficial do Charlie Brown Jr., onde foram rodadas as cenas musicais. O público pôde assistir, em primeira mão, Loreto no palco como Chorão. O roteiro é assinado por Duda de Almeida (Sintonia, Angela). “Em Santos, entre o skate e os palcos, Chorão encontrou em Graziela uma presença marcante, que atravessou sua vida pessoal e criativa. É nesse encontro entre amor, rebeldia e vulnerabilidade que nasceram músicas capazes de traduzir uma geração, consolidando o Charlie Brown Jr. como uma das maiores bandas de rock do Brasil”.