Hermeto é grandeza da música no Brasil, um dos pontos mais altos da história da nossa música”, ressaltou Caetano Veloso ao falar da morte do multi-instrumentista Hermeto Pascoal, ocorrida na noite de sábado, no Rio de Janeiro. O artista alagoano tinha 89 anos e deixa um legado reconhecido mundialmente pela genialidade e ousadia sonora. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O velório será realizado nesta segunda-feira (15), na Areninha Cultural Hermeto Pascoal, em Bangu, Zona Oeste do Rio, das 14h às 21h, com cerimônia aberta ao público. Um mestre dos sons Hermeto morreu às 20h22, no Hospital Samaritano Barra, em decorrência de complicações de um quadro avançado de fibrose pulmonar. Internado desde 30 de agosto, o músico não resistiu à falência múltipla dos órgãos. No comunicado nas redes sociais, a família escrever: “Quem desejar homenageá-lo, deixe soar uma nota no instrumento, na voz, na chaleira e ofereça ao universo. É assim que ele gostaria. Gratidão por todo carinho ao longo do caminho.” Nascido em 1936, na pequena Lagoa da Canoa (AL), Hermeto foi autodidata. Tocava acordeon e flauta desde menino e, aos 15 anos, já era músico profissional. Com o irmão, mudou-se para Recife em busca de oportunidades e, a partir dali, construiu uma trajetória única. Conhecido por transformar sons do cotidiano em música — do barulho da água ao sopro do vento, passando por panelas e brinquedos —, Hermeto transitava entre o jazz, a música popular brasileira e as tradições regionais. Sua obra desafiava fronteiras e definições. O reconhecimento veio dentro e fora do Brasil. Colaborou com grandes nomes da música internacional, conquistou três Grammy Latinos e, em 2010, recebeu a Ordem do Mérito Cultural. No ano passado, aos 88 anos, lançou o álbum Pra você, Ilza, homenagem à esposa, com quem foi casado por mais de quatro décadas. Deixa seis filhos, 13 netos e 10 bisnetos. Homenagens A morte do músico repercutiu em todo o país e gerou manifestações de tristeza e gratidão pela sua obra. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva postou: “Multi-instrumentista, compositor e arranjador, Hermeto transformou em música tudo o que tocava: do piano à flauta, do berrante até instrumentos improvisados de cozinha e brinquedos. Hermeto sempre nos ensinou a não deixar a tristeza dominar. Por isso, convido os brasileiros a celebrarem sua história e sua música.” O cantor Tiago Iorc comentou: “Ele nunca foi desse plano. Sempre esteve aqui nos mostrando a imensidão que somos. Boa viagem, maestro”. Assim como a cantora Zélia Duncan, que o chamou de “mestre absoluto” e “filho preferido da deusa música”. O músico Mestrinho resumiu: “Existe um mundo antes de Hermeto e outro depois dele! Gratidão por dar mais vida à música”.