Helga escuta Fafá de Belém desde a infância em Madureira e agora conheceu a mulher além da cantora (Alexsander Ferraz/AT) Fafá de Belém já povoava em discos a sua casa da infância, em Madureira, no Rio. “Minha mãe escutava muito”, relembra Helga Nemetik. Agora, a atriz e cantora está prestes a estrear a temporada paulistana de Fafá de Belém O Musical, nesta sexta-feira, no Teatro Claro Mais, em São Paulo. No espetáculo, que ficará em cartaz até 12 de julho, ela vive a maioridade e a maturidade da cantora paraense. Ao lado dela, estão Lucinha Lins (que encarna Fafá hoje em dia) e Laura Saab, neta da própria Fafá, que a interpreta na adolescência. “Para mim, trabalhar com a Lucinha é quase a realização de um sonho. Quando criança, eu era apaixonada por ela, especialmente pelo personagem dela em Saltimbancos, a gata – eu escutava o disco todo santo dia – e ficava imitando”, recorda Helga. “A Laurinha é um talento, uma menina muito especial, inteligente e dedicada. Maravilhosa atriz e cantora, estuda teatro musical desde bem novinha. É um grande prazer estar com ela em cena”. O espetáculo é construído em três planos: o presente, durante a gravação de um documentário pelos 50 anos de carreira, no histórico Teatro da Paz, em Belém (com interpretação de Lucinha Lins). As memórias de infância, na sua Belém mítica, marcada por lendas e mitos amazônicos (feito por Laura Saab). E os passos para a construção da carreira (com Helga Nemetik). Identificada ao Brasil Se já conhecia a voz e a música de Fafá da própria casa, foi agora, ao viver a cantora no palco, que Helga passou a conhecê-la mais a fundo. Helga descobriu uma mulher “empoderada antes dessa palavra existir. “Uma mulher que não se dobrou a ninguém, nem a padrão estético, algo que muito me tocou”. Helga conta de uma cena incluída na peça que exemplifica isso. Certa vez, um produtor da gravadora disse que Fafá precisava emagrecer. “Ela respondeu: ‘Você está interessado no meu talento ou no meu corpo?’”, diz Helga. “Eu também sempre ouvi de produtores, diretores, que eu tinha que emagrecer. Mas, ao contrário de mim, Fafá nunca se dobrou”. Nunca se dobrou também ao cantar o desejo feminino. “Ela era a mulher que falava alto, deixava o decote, se permitia ao prazer”. Helga também enxerga Fafá de Belém identificada com o Brasil, especialmente pela participação no movimento das Diretas Já, nos anos 80. “Nessa época, nos momentos drásticos que o Brasil passou, ela também passou, lutando por um País melhor”. Caetano Veloso, Ivan Lins, Chico Buarque, Gonzaguinha, Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Milton Nascimento. A nata da MPB, mas também o carimbó do seu Pará natal: o repertório de Fafá, essencialmente brasileiro, também é bastante eclético – como a própria música do País. “Ela cantava o que fazia sentido para ela. Incluía música de sofrência, tida como cafona, brega, quando diziam que ela era uma diva. Essa também era uma forma de não se dobrar ao que o mercado queria”, avalia Helga. Cinema Teatro, tevê e cinema. Não só como atriz e cantora. Na verdade, Helga Nemetik é formada em Cinema e tem exercido mais o lado cineasta. Atualmente, dirige um documentário sobre pacientes que têm problemas de quadril, precisam colocar próteses. Está no quarto episódio, gravando com o tetracampeão Zinho. Como atriz, acabou de protagonizar A Miss, de Daniel Porto. “Tem muitas produções e cineastas com boas ideias. O streaming ajudando muito tb a colocar nossas ideias, de filmes produzidos aqui no País”. Na tevê, Helga não tem planos no momento. Para ela, a urgência televisiva é um sonho da juventude. “Fiquei 15 anos na Globo, no Zorra Total, cinco em novelas. Uma hora volto para a tevê, em um projeto bom. Não vivo mais essa agonia que a juventude trazia”. Serviço: Fafá de Belém O Musical, de sexta-feira a 12 de julho, no Teatro Claro Mais (Rua Olimpíadas, 360, Vila Olímpia, São Paulo). Quintas e sextas, 20h; sábados e domingos, 16h e 20h. Ingressos entre R\$ 100,00 e R\$ 350,00, aqui.