Para Rodrigo, o forró é parte da própria família em que nasceu (Arquivo pessoal) O forró se consolidou como uma herança cultural do Nordeste, transmitida de geração em geração. Na Baixada Santista, o gênero ganha novos tons e ritmos: a presença de uma comunidade nordestina forte em São Vicente e Cubatão tem sido um fator determinante para o sucesso do forró na região, avalia Leonardo de Souza Moraes, conhecido como Leonardo Cabelinho, DJ e integrante da banda ForróFia. “Essas cidades viraram local de moradia e oportunidade de trabalho para vários nordestinos, e alguns já traziam o forró como cultura e lazer, tocando sanfona, fazendo reuniões em festas e bares. Esse costume influenciou as novas gerações”. É o caso do cantor e sanfoneiro Rodrigo Akio Suzuki Silva, 38 anos, que enxerga o forró como parte da família. “A minha geração, na faixa dos 30 e poucos anos, nasceu aqui. Mas todo contato com a música, tudo o que aprendemos sobre forró, teve influência dos mais velhos”. Apesar de suas sete décadas de história, o gênero ainda enfrenta diversos desafios. De acordo com o sanfoneiro, os comentários pejorativos vêm de pessoas que desconhecem o estilo. Contudo, mesmo diante do preconceito, há uma comunidade fiel que preserva e promove a cultura. Cultura mundial Leonardo Cabelinho, DJ e integrante da banda ForroFiá, destaca que, apesar de ser conhecido e popular, o gênero ainda sofre. “Cada conquista é fundamental para evidenciar a voz e a força do forró no cenário musical e cultural mundial”. Embora tenha sido influenciado pela avó baiana, Leonardo só despertou para o gênero quando adulto. “Me interessei quando o forró ganhou popularidade nos anos 2000, em São Paulo. Normalmente, quem vem de família nordestina começa a tocar muito jovem, mas, no meu caso, foi diferente. Meu contato com os instrumentos aconteceu só após os 18 anos”. Leonardo: cada conquista é fundamental para afirmar o gênero (Arquivo pessoal) Conexão tardia Assim como Rodrigo, o cantor Diego Alencikas, 32 anos, também demorou a se conectar com o forró, mesmo com a influência da família pernambucana e a “cultura do forró no sangue”, como diz. Como outros filhos de nordestinos, o gosto veio com a popularização de subgêneros como o Forró Pé de Serrá e o Forró Universitário, que trouxeram o forró nordestino para as festas dos estados do Sudeste. Diego lançou o seu primeiro EP, enaltecendo o ‘forró caiçara’ (Arquivo pessoal) Na região, a chegada desses novos estilos impulsionou o surgimento de espaços dedicados ao ritmo, como bares temáticos e eventos ao ar livre. O que antes era apreciado por pequenas comunidades de nordestinos, ampliou-se. O gênero até entrou no Carnaval deste ano. A Independência, do Jardim Casqueiro, em Cubatão, teve o enredo inspirado na canção Feira de Mangaio, de Sivuca e Glorinha Gadelha. Era a herança nordestina na passarela do samba Dráusio da Cruz. Da Baixada para o Brasil Em maio deste ano, Diego Alencikas lançou o seu primeiro EP Forró Pé de Caiçara, um trabalho autoral que mergulha nas raízes da cultura nordestina e busca trazer à cena cultural da região o forró caiçara. O projeto foi contemplado pelo 10º Facult (Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes de Santos). Porém, segundo Diego, a falta de grupos de forró e a concorrência com outras linguagens artísticas, como o teatro e as artes visuais, dificultam o acesso a editais como o Facult. “Na Baixada, as produções teatral e visual cresceram bastante após a pandemia, então eles estão mais engajados em políticas públicas”. *Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - UniSantos sob supervisão da professora Lidiane Diniz e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.