A obras 50 Poemas Escolhidos pelo Autor cobre 14 livros (Reprodução) Onde cabem 45 anos de poesia? Talvez nenhum livro abarque tanto tempo: traduzindo poesia à vida de quem escreve, cada ano é eternidade. Mesmo assim, Flávio Viegas Amoreira irá lançar sábado, às 18 horas, na Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão), a obra 50 Poemas Escolhidos pelo Autor (Editora Clóe). “É uma reunião geral, um rastreamento das poesias urbanas, dedicadas ao tema geral do mar, odes a São Paulo, ao Litoral Paulista, poemas homoafetivos e pequenos poemas editados ultimamente”, enumera Flávio. O garimpo foi feito entre os 14 livros de poesias que o autor já lançou nesses 45 anos. Os temas mais presentes nos poemas são o “sentimento atlântico do mundo”, como ele diz, ou seja, a presença do mar, de seu encanto a seu canto, o desejo e a busca do ser. “Poemas de cunho existencialista de poemas de forte carga telúrica”, resume. Vanguarda e concretismo Com poemas em construção barroca, mas pós-moderna; com alta carga vanguardista e experimental, Flávio se diz em dívida – no melhor dos sentidos – com mestres como Haroldo de Campos e o espanhol Luís de Góngora y Argote (1561-1627). “O mais importante num poema é a forma, a contenção, a tensão, como diz Paul Valéry, entre som e sentido. Poesia não é para ser entendida, mas sentida”, arremata.