Ck Lex, Athayde Muñez, Guilherme Lobo e Felipe Pacheco participaram dessa primeira etapa do projeto (Divulgação) O som das ruas de Santos está ganhando novos palcos e oportunidades. O produtor musical Gabriel Panza, fundador do Estúdio Wave, no Bairro Gonzaga, lidera o projeto Vozes da Rua, uma iniciativa que une inclusão social, valorização cultural e profissionalização artística. A proposta é descobrir, produzir e gravar músicos que se apresentam em espaços públicos, como praças, praias e luais, oferecendo estrutura profissional e visibilidade para quem transforma a arte em resistência e expressão. Nesta primeira fase, o projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, o que possibilitou a gravação de quatro artistas de estilos diversos — do gospel ao rap, passando pelo pop rock e outros gêneros. O objetivo é revelar talentos autênticos, muitas vezes invisíveis ao grande público, e criar caminhos para que esses artistas possam viver da própria arte. A inspiração para o Vozes da Rua nasceu em 2018, quando um jovem poeta de rua procurou o estúdio pedindo a chance de gravar suas músicas. Sem recursos na época para poder ajudar, Panza nunca esqueceu o episódio. “Aquele encontro me marcou profundamente, percebi que havia muitos talentos nas ruas esperando uma oportunidade para mostrar seu trabalho”, relembra o produtor. Anos depois, o sonho virou realidade. Com uma curadoria cuidadosa, o projeto selecionou artistas pela autenticidade, qualidade musical e força de mensagem, oferecendo gravação, produção e acompanhamento profissional. “Mais do que gravar canções, o Vozes da Rua é sobre dar voz a quem muitas vezes não é ouvido. É sobre mostrar que grandes histórias e talentos podem nascer em qualquer esquina”, afirma Panza. "O projeto é sobre mostrar que grandes histórias e talentos podem nascer em qualquer esquina”, diz Gabriel Panza (Divulgação) Mais que gravações Além das gravações em estúdio, o projeto inclui divulgação nas plataformas digitais e a produção de conteúdo audiovisual, retratando o processo criativo e a história de cada participante. A proposta é transformar o Vozes da Rua em uma plataforma contínua de valorização da música independente, conectando novos talentos com o público e com oportunidades reais no mercado cultural. Oportunidade Para os artistas participantes, o impacto vai muito além da exposição. A chance de ser ouvido e reconhecido representa um novo começo. “Eu sempre cantei nas ruas porque era o único espaço que eu tinha para ser ouvido. Ser selecionado pelo Vozes da Rua mudou minha vida. Agora posso mostrar minha arte com qualidade e dignidade”, relata Guilherme Lobo, um dos artistas escolhidos. Ao unir música, sensibilidade e inclusão, o Vozes da Rua mostra que a cultura é também um caminho de transformação social. "O projeto mostra que o talento pode surgir em qualquer lugar. Nas esquinas, praças ou à beira-mar, e que, com apoio e oportunidade, toda voz pode alcançar o mundo", diz o produtor. Ele diz que gravar com artistas sem experiência em estúdio tem a ver com realização de sonhos. "Ver o brilho no olhar de cada um deles é realmente muito gratificante e emocionante. Tenho minha caminhada há pelo menos vinte anos na música, e sempre quis proporcionar para outros artistas aquilo que busquei e não puderam fazer por mim. É uma grande realização, um privilégio", finaliza o produtor.