O livro Gotham Pensa estará em breve em pré-venda, no site da Avoante Editora (Divulgação) O Batman além dos quadrinhos. Mas também da tevê, do cinema, do desenho animado. É o personagem que saiu da ficção para se fixar no imaginário popular: esse é o mote de Gotham Pensa - Uma Leitura Crítica do Mito do Batman (Avoante Editora), obra da historiadora e especialista em História das HQs Laluña Machado. O livro estará em pré-venda em breve no site. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “O Batman consegue se adaptar de várias formas, a várias mídias, em vários contextos e momentos, muitas vezes ao mesmo tempo. Nesse livro, eu divido o Batman personagem e o Batman que é uma ideia, um símbolo, um mito”, explica. Um fato que indica essa universalidade profunda do Cavaleiro das Trevas é a quantidade de produções e produtos, seja para adultos, crianças ou adolescentes, os brinquedos, os comerciais da tevê, desenhos animados, alguns apenas sobre o batmóvel, e do batsinal nos céus de Gotham City (que é uma reprodução de Nova Iorque). “Ele é o único personagem (herói) que consegue ter tanta força, culturalmente”. Mais força, inclusive, que o Superman. Adaptação O Batman viu a luz nos quadrinhos em 1939, um ano depois do Superman. Com o sucesso estrondoso deste, baseado em ação e fantasia, pensou-se em novos heróis e outras premissas. Assim, enquanto o Superman é o ‘homem de aço’, que voa e é quase indestrutível, Batman surge como um ser humano vulnerável, propenso a erros. Em vez de ação e fantasia, o Homem-Morcego se apoia na investigação e suas histórias iniciais têm mais mistério do que pirotecnia. Talvez esse seja o segredo: o milionário Bruce Wayne (a identidade secreta do Batman) é tão de carne e osso quanto qualquer pessoa. “O contexto do Superman é igual, ele muda pouco ao longo do tempo. Já a construção do Batman, com as roupas, o batsinal, as questões traumáticas, os dramas urbanos, sempre estarão presentes, mas o personagem vai flutuar e se adaptar a vários públicos”. Ao ponto de Batman ser o personagem com uma das séries televisivas mais icônicas de todos os tempos, nos anos 60. Detalhe: era uma paródia. Ou seja, totalmente diferente da origem. Com Adam West no papel do Homem-Morcego, e Burt Ward, como Robin, a série teve três temporadas, entre 1966 e 1968. O curioso é que essa adaptação leve do Homem-Morcego à telinha surgiu de um momento conturbado. Em 1954, o psiquiatra alemão radicado nos Estados Unidos Fredric Wertham havia publicado o livro A Sedução dos Inocentes, em que clamava efeitos nocivos de imagens de violência na mídia de massa sobre o desenvolvimento das crianças, argumentando que as revistas em quadrinhos contribuíam para a delinquência juvenil. No caso específico do Homem-Morcego, o livro apresentava a dinâmica entre Batman e Robin com um subtexto “psicologicamente homossexual”. “Daí vem essa lenda de que eles são um casal”. O livro causou furor e em meio à caça às bruxas que se seguiu, com investigações pelo Senado americano sobre o tema, surgiu a série de tevê. “Começaram várias implicações. As missões tinham que ser de dia, o mal nunca poderia vencer, tudo tinha que ser colorido, espalhafatoso, extravagante”. Tiraram a parte, vamos dizer, sombria, do Batman”, diz Laluña. “E a Batgirl surge para tirar esse estigma da homoafetividade com o Robin”. A série foi um estrondoso sucesso. O lado sombrio... da sombra Mas no livro, a história do Batman é apenas um pretexto à reflexão sobre vários aspectos da sociedade. Por exemplo, racismo. Em uma das histórias dos quadrinhos, no início dos anos 2000, o Batman está em vários lugares do mundo, como pessoas diferentes defendendo as cidades contra o crime. Enfim, ele se transforma em uma franquia. Um deles é negro. “Só que colocaram a máscara no rosto inteiro. Então não dava pra ver (que ele é negro)”. Houve reclamações. A resposta foi que as câmeras da cidade seriam poderosas o suficiente para descobrir a identidade por trás da máscara. Questionaram: mas e os outros batmans? “Historiadores aventaram a hipótese de que, em 1939, quando foi criado, com a severa segregação que existia, a máscara deixava ver o queixo para que se soubesse que ali estava um homem branco”. Mudança Se não fosse pelo Cavaleiro das Trevas, Laluña não estaria em Santos hoje. Nascida em Itapetininga, na Bahia, cursou História na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. O trabalho de conclusão do curso foi sobre o Homem-Morcego. “Sobre como a série de 1943 (para o cinema) foi usada pelo governo americano como esforço de guerra”. O trabalho rompeu fronteiras. A Gibiteca de Santos convidou Laluña para uma palestra sobre o tema. Ela veio. Encantou-se pela Gibiteca e pela Cidade. “Os três dias programados viraram 13, conhecendo a cena cultural e histórica. Fui capturada por esse sentimento”. Oito anos depois, Laluña diz sem hesitar que o Batman mudou sua vida. “Me abriu várias portas. Na pesquisa, me fez conhecer pessoas extremamente importantes na área, que eu nunca pensei que iria conhecer. Laluña Machado, historiadora e escritora (Divulgação) Origem do Batman O Batman estreou na revista Detective Comics #27, em 30 de março de 1939, criado por Bob Kane e Bill Finger. Batman Day O Batman é o único herói que tem um dia todo seu: o Batman Day, criado pela DC e pela Warner Bros. para celebrar os 75 anos da primeira aparição do personagem. Apesar disso, a data não é em março, mas sempre no terceiro sábado de setembro. A Batcaverna e Alfred O seriado de 1943, exibido nos cinemas, foi o ponto de consolidação de dois elementos que se juntariam à mística do personagem: o conceito de Batcaverna e a versão atual do mordomo Alfred. A inspiração de Bob Kane Para criar o Batman, Bob Kane inspirou-se em desenhos aerodinâmicos de Leonardo da Vinci, que lembravam asas de morcego. Tanto que o primeiro símbolo no peito não tinha a cabeça do morcego, mas apenas as asas. Os filmes do Batman no cinema Batman: O Filme (1966) — Adam West Batman (1989) — Michael Keaton Batman: O Retorno (1992) — Michael Keaton Batman Eternamente (1995) — Val Kilmer Batman e Robin (1997) — George Clooney Batman Begins (2005) — Christian Bale O Cavaleiro das Trevas (2008) — Christian Bale Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) — Christian Bale Heroísmo “Quando a gente pensa no Superman, vê alguém com superpoderes: ele pode voar, tem superforça. Para se encaixar na sociedade, tem que se passar por outra pessoa, vai tentar ser jornalista, um cidadão comum. Ou seja, vai esconder as habilidades dele. O Batman não tem habilidades superpoderosas, mas consegue contornar o contexto pessoal dele, os traumas, para transformar aquilo em heroísmo”, diz a historiadora e escritora Laluña Machado