Presidente do júri, Juliette Binoche (centro), com Payal Kapadia, Alba Rohrwacher, Halle Berry e Leila Slimani (Natacha Pisarenko/ Associated Press/ Estadão Conteúdo) O Festival de Cannes de 2025 começou ontem e já transformou a cidade francesa da região da Côte d’Azur no epicentro do cinema mundial até o dia 24. Nesta 78ª edição, o Brasil assume papel de destaque, não apenas com filmes em competição, mas também como país homenageado no Marché du Film, o maior mercado audiovisual do mundo. O principal destaque brasileiro é O Agente Secreto, novo longa de Kleber Mendonça Filho, que concorre à Palma de Ouro. A primeira exibição do filme para o público do festival está marcada para domingo. Em 2019, o cineasta pernambucano levou o Prêmio do Júri com Bacurau, codirigido por Juliano Dornelles. Estrelado por Wagner Moura, a história se passa em Recife, no ano de 1977, durante a ditadura militar, e acompanha o personagem Marcelo, um professor perseguido por suas atividades políticas. O elenco conta ainda com Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone e Udo Kier. O longa já vem sendo apontado por veículos especializados, como a prestigiada Cahiers du Cinéma, como um dos mais aguardados da competição. A diretora Marianna Brennand será homenageada com o prêmio Woman in Motion (Reprodução/ Instagram) Outro destaque brasileiro é a premiadíssima diretora Marianna Brennand, que será homenageada com o prêmio Woman in Motion, reconhecimento destinado a mulheres que se destacam na indústria cinematográfica internacional. Marianna produziu e corroteirizou o filme Manas, que conta a história de Marcielle (Jamilli Correa), uma jovem de apenas 13 anos inserida em um meio repleto de violências dentro da periferia da Ilha de Marajó. Outras participações Além da competição principal, o Brasil marca presença em diversas outras seções do festival. Na mostra Um Certo Olhar, está o filme O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, uma coprodução entre Portugal, França, Brasil e Romênia. Na seção Cannes Classics, será exibido o documentário Para Vigo Me Voy!, de Karen Harley e Lírio Ferreira, sobre o cineasta Carlos Diegues. A Quinzena de Cineastas apresenta quatro curtas-metragens produzidos no Ceará, resultado de parcerias entre diretores brasileiros e estrangeiros. Na Semana da Crítica, o curta Samba Infinito, de Leonardo Martinelli, representa o País. Além disso, a coprodução França-Colômbia-Brasil Culebra Negra, de Aurélien Vernhes-Lermusiaux, será exibida na mostra paralela ACID. Na Quinzena de Cineastas, quatro curtas produzidos no Ceará ganham os holofotes — resultado do projeto Factory, que junta diretores brasileiros e estrangeiros em parcerias criativas. São eles: Ponto Cego, A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, Como Ler o Vento e A Besta do Mangue. Com Wagner Moura, O Agente Secreto se passa no Recife de 1977 (Reprodução/Instagram) Mercado de filmes O Brasil também é o país homenageado no Marché du Film, reunindo mais de cem empresas brasileiras do setor audiovisual, o maior número já enviado às rodas de negócios do setor. A homenagem coincide com a celebração dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e França. A expectativa é superar os números do ano anterior, quando foram realizados mais de mil encontros comerciais, contabilizando US\$ 11,5 milhões em contratos firmados. A cerimônia de abertura do festival contou com a exibição de Partir un Jour, comédia musical da jovem cineasta francesa Amélie Bonnin. Além disso, o ator e diretor Robert De Niro foi homenageado com uma Palma de Ouro honorária, reconhecendo sua contribuição ao cinema. Com uma presença marcante em diversas frentes, e após o Oscar de Melhor Filme Internacional, o Brasil reafirma sua importância no cenário cinematográfico internacional durante o festival francês. Novas regras no tapete vermelho A organização do Festival de Cannes comunicou mudanças em seu dress code para a edição deste ano na véspera do evento, banindo “nudez” e “trajes volumosos” que “atrapalhem o tráfego de convidados” durante o tapete vermelho. A nova regra vale também para “qualquer outra área do evento”. De acordo com a postagem, a decisão em relação à nudez, que afetará a moda recente de trajes transparentes usados por celebridades, foi tomada por “questão de decência”. Nos últimos anos, Bella Hadid, Florence Pugh e a fotógrafa Nadia Lee Cohen aderiram ao estilo em suas aparições no tapete vermelho. O novo dress code do evento, esperado por estilistas, exige que os convidados compareçam com vestidos longos ou smoking. “Como alternativa, você também pode vestir ‘um pequeno vestido preto’, traje de coquetel, blusas com calças pretas, sapatos elegantes e sandálias com ou sem salto (sem tênis), um terno preto ou azul-marinho com gravata borboleta ou gravata de cor escura”, diz o comunicado.