[[legacy_image_101322]] Por mais triste que esteja sendo a pandemia, para Bárbara Paz foi um período de muita criatividade. “Eu não tive medo de criar na solidão, nem de falar sobre ela”, disse a atriz e diretora. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O curta-metragem Ato, seu segundo filme como cineasta, nasceu logo no começo do isolamento, quando quase todo mundo estava em casa. Paz foi convidada para participar de um workshop com o diretor Matías Umpierrez no festival Teatro em Movimento, da Rubim Produções de Minas Gerais. Dali saíram três projetos, entre os quais o curta, que chegou longe: foi exibido fora de competição ontem, na seção Horizontes do 78º Festival de Veneza, que se encerra hoje. “É uma honra, porque não tinha essa pretensão”, disse a diretora, premiada no mesmo festival dois anos atrás pelo documentário Babenco - Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou. Bárbara Paz faz há anos uma investigação sobre a solidão, incluindo o roteiro de um longa-metragem sobre uma mulher que cobra para dar afeto, para dormir junto, abraçar, sem sexo. “Esse serviço existe, e essas pessoas ajudam outras a atravessar a vida de forma menos solitária”, disse ela. Essa exploração da solidão vem de uma inquietação pessoal. “Acredito que tudo parte da gente. Essa minha pesquisa existe muito antes da pandemia. Eu me criei muito sozinha, estive bastante sozinha na minha vida. E trabalhei sem saber a solidão e a morte, tão presentes na minha vida. Acabei entendendo que eu podia falar tanto da partida quanto da solidão de uma forma bonita”. Quando surgiu a oportunidade de fazer um curta, não havia outro tema possível para a cineasta. Ela pensou: por que não um prelúdio do longa? Afinal, com a covid-19, a solidão e a perda se tornaram assuntos inevitáveis. “O mundo inteiro estava com isso na cabeça. Queria falar disso porque eu entendo, sei o que é. Então, o filme parte da minha solidão para a solidão do mundo”. Com mais 15 pessoas, ela se isolou em um hotel em Ouro Preto e fez o que descreve como um pequeno ato, um estado, um respiro. “É um filme que caminha mais para a experimentação da linguagem, para a sensação”, diz. O curta praticamente abdica das palavras para mostrar Ava (Alessandra Maestrini) ajudando Dante (Eduardo Moreira) a fazer sua travessia. Quando se faz presente, o grito sai em forma de canto.