Jubileu de prata musical não é para qualquer um. Ainda mais para uma banda, que costuma envolver as visões, os egos e os estilos diversos de seus integrantes. Assim, parabéns para a General Tequila, uma das mais reconhecidas bandas da Baixada Santista, que está completando 25 anos de palco e estrada – nascida em Santos, já expandiu as fronteiras para além da região. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A banda nasceu quando eu trabalhava como promotor de uma casa noturna em Guarujá”, recorda Cássio Amper, vocalista e membro fundador. “Eu já era músico. A casa estava abrindo um ambiente externo e precisava de uma atração musical. Falei com amigos mais experientes e montei um time para fazer um único show, acústico”. Os amigos gostaram da experiência e o que seria um show virou dois, três, quatro... até chegar a 25 anos. Mas e o nome da banda? De onde veio? Surgiu às vésperas daquela primeira apresentação na casa noturna de Guarujá. “Um dia, estava no Centro de Santos, de carro, indo comprar uma garrafa de tequila para uma festa que eu ia dar no final de semana. Estava na Rua General Câmara. De repente, me veio: General Tequila. Gostei da sonoridade”. Repertório, personalidade O tempo passou, os integrantes mudaram. Hoje, além de Cássio, a General Tequila é formada por Andy Sabino, na guitarra (também é fundador da banda), Marcos Cláudio Perez, no baixo, e David Buxixo Ferreira, na bateria. Uma coisa que mudou pouco foi o rumo musical. Assumidamente nascida como uma banda de covers, tocavam nos bares, nas noites, tudo o que fazia sucesso. Lá nos anos 2000, era Lenny Kravitz, Black Eyed Peas, algo da música eletrônica, muito voga na virada do milênio. “A gente era roqueiro, então tocava tudo um pouco mais pesado”. Quando começaram a criar o repertório, compondo canções próprias para o primeiro álbum, de 2007, as influências evidentes foram os grupos Linkin Park, Incubus, Faith no More, Red Hot Chili Peppers, com pitadas de heavy metal e de rock progressivo. “Hoje, a gente é mais abrangente, tem muita coisa influenciando, o que cada um (dos integrantes) tem na cabeça”, analisa Cássio. “Eu sou meio viúva dos anos 80, da new wave; e o Andy, guitarrista, por exemplo, é do metal. As únicas coisas que a gente não toca são sertanejo e pagode. Além de não curtirmos, achamos o mercado bem saturado”. Desafio e profissionalismo A música envolve, a vida vai levando, 25 anos passam quase sem perceber. Mas houve um momento crítico nessa trajetória – aliás, para todo mundo –: a pandemia. “Deu uma chacoalhada”, recorda Cássio, que foi “vender sopa” para pagar as contas do filho. “Muita gente mudou de ramo, acabou não voltando e perdeu público. Mas eu não julgo: todo mundo precisou sobreviver”. A General Tequila voltou mais forte, com a certeza do rumo: fazer música. Agora, a ordem é celebrar os 25 anos, mas com a consciência de que estão ‘prateados’. “A vida adulta não é a mesma de quando tínhamos 22 anos, queríamos fazer sucesso. A vida mudou, todo mundo com filho adolescente, adulto. Temos um cartel de clientes, tocamos em muitos casamentos, festas de empresa. Fora as aulas, somos todos professores de música”, enumera. Nessa balança do tempo, os sonhos são mais concretos: hoje, a General Tequila quer ajudar a valorização do profissional da música. “Na noite, em Santos, nós fomos uns dos primeiros a ter contrato, abrir CNPJ, emitir nota. Queremos que todos possam se profissionalizar, para a música ser levada ao padrão que merece, do bem que proporciona”. “Sempre prezamos muito pelo profissionalismo, para valorizar a profissão do músico. A noite sempre existiu em Santos, mas sempre muito verbalizada. Nós fomos uns dos primeiros a ter contrato, abrir CNPJ, emitir nota. Queremos que todos possam se profissionalizar, pra música ser levada ao padrão que merece, do bem que proporciona”, diz Cássio Amper, vocalista da General Tequila (Reprodução/Instagram) O futuro é logo ali Vinte e cinco anos não se faz todo dia. Sem spoilers, Cássio confirma que até o final deste ano, ou no começo de 2027, haverá novidades, já que o grupo está “fomentando o bichinho da composição”. Uma coisa é certa: a General Tequila tem gás para mais 25 anos. Como diz Cássio: “(Quero) continuar vivendo disso até o corpo dizer chega”. Com a palavra, Mick Jagger e Keith Richards.