Este é o quarto musical de Letícia, que ainda mora em Santos (Felipe Menezes/Divulgação) Passo a passo (de dança), nota a nota (musical), o sonho de Letícia Nascimento vai se tornando realidade. Atriz, cantora e dançarina, não necessariamente nessa ordem, a santista de 30 anos está no musical Elvis - A Musical Revolution, estrelado por Leandro Lima, dirigido por Miguel Falabella, em cartaz no Teatro Santander, na Capital. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Como em todo espetáculo musical, houve um processo de audição, para escolher quem iria interpretar os 24 selecionados. É um processo longo, provas de dança, canto, atuação. Às vezes demorando mais de um dia”, explica. Em Elvis, Letícia interpreta a cantora, compositora e guitarrista Sister Rosetta Tharpe (1915-1973), que alcançou popularidade nos anos 30 e 40 com seus gospels que misturavam letras espirituais e um som peculiar de guitarra. Com isso, inspirou muitos artistas do início do rock and roll, incluindo Elvis. “Ela foi uma das inspirações para imagem de Elvis que a gente conhece. Essa é minha parte favorita: cantar as pessoas que levaram ele a ser o que a gente conhece, esse mix de country, blues e sol. Nesse espetáculo, a gente consegue homenagear esses artistas, que são todos negros”. Letícia, porém, confessa: não era fã incondicional. Conhecia o Rei do Rock porque o universo inteiro já ouviu falar de Elvis em algum momento. Mas a ela, esse encontro acabou sendo uma grata surpresa. “Me chamou atenção a trajetória dele. É um artista com quem se aprende muito sobre música”. O elenco do musical dirigido por Miguel Falabella, em cartaz no Teatro Santander: a vida de um ícone da música no palco da Capital (Caio Galluci/Divulgação) Encontro com o ídolo Elvis já é o quarto musical de Letícia. Antes, ela já havia participado de Marrom, sobre a vida de Alcione, e Bob Esponja, O Musical. Mas tudo começou em 2019, com Donna Summer Musical, também dirigido por Miguel Falabella. “Miguel é um anjo na minha vida. Essa decisão de escolher alguém de quem nunca ouviu falar para o elenco de uma peça grande partiu dele”. Aliás, partiu dele na primeira audição em que recebeu um ‘sim’ na sua vida. Para Letícia, parece que foi ontem o dia em que saiu de casa nervosa, pegou o ônibus na rodoviária rumo não só à Capital, mas ao seu sonho. “Sabia que o Miguel seria o diretor, mas não imaginava que ele estaria lá (na audição). Foi a primeira vez que o vi Miguel Falabella, de quem já era fã”. Tempos depois, já no elenco do espetáculo, entre uma pausa e outra dos ensaios, Falabella confessou que Letícia tinha sido a primeira pessoa que ele escolheu para Donna Summer. “Ele disse, ‘no momento em que você cantou, eu falei quero ela no elenco”. A propósito: a música interpretada por Letícia na audição foi I Wanna Dance with Sombedoy, conhecida na voz de Whitney Houston. O início Letícia cresceu no Castelo, na Zona Noroeste de Santos, onde ainda mora com os avós. As artes entraram cedo em sua vida pela porta da dança: a tia, professora de balé, a levava para as aulas. Em casa, o avô costumava tocar violão. Daí para cantar, bastou abrir a boca para o coração fluir pela voz. “Crescendo, passei a estudar o canto mais seriamente. Mas, em Santos, é difícil estudar canto sem dinheiro, então estudei mesmo por conta própria”. O teatro chegou mais tarde na vida de Letícia. Aí, sim, com estudo formal, em um curso no Tescom - Escola de Teatro. Em 2015, fundou um coletivo teatral. “A gente foi muito feliz com a adaptação de Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (de Jorge Amado). Conseguimos circular bastante com essa peça”. Atriz, cantora, dançarina... preferência não há, mas Letícia se sente mais cantora: a música serve ao palco e à vida. Foi assim em 2019, quando perdeu um irmão mais novo – ela tem outros quatro. “A música me manteve em pé, ajudando a reencontrar as alegrias da vida”, recorda, emocionada. “Sentava sozinha com meu violão, tocava, e era ali que eu me ajudava”. Uma canção em especial é uma síntese do que lhe conforta: Read All About It, da cantora e compositora escocesa Emeli Sandé, que fala sobre a coragem para mudar a si e fazer-se ouvir ao mundo. Algo que Letícia está cada vez mais alcançando nos palcos. E resume: “Meu maior sonho é poder me sustentar pela arte por muito tempo, seja cantando, atuando ou dançando”.