Francisco Cuoco interpretou o Padre Gonçalo, na 20ª Encenação da Fundação da Vila de São Vicente em janeiro de 2002 (Marcelo Justo/Arquivo AT) O ator Francisco Cuoco morreu nesta quinta-feira (19) aos 91 anos. A informação foi confirmada pela família do artista. Um dos últimos galãs lendários da televisão brasileira, marcante por seu porte atlético, cabelos ruivos e uma voz rouca e grave, Cuoco interpretou o Padre Gonçalo, na tradicional 20ª Encenação da Fundação da Vila de São Vicente em janeiro de 2002, em São Vicente, na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Cuoco estava internado no hospital Albert Einstein, na Capital paulista, há cerca de 20 dias, e sedado desde então. Em idade avançada, o ator enfrentava problemas de saúde, como ansiedade e excesso de peso, chegando a pesar cerca de 130kg. A causa da morte não foi informada. Carreira Cuoco iniciou sua trajetória artística no teatro, ainda na década de 1950, destacando-se por sua presença de palco e versatilidade. O seu primeiro protagonista no teatro foi com o personagem Werneck, de O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, em 1961, com direção de Fernando Torres. Sua transição para a televisão aconteceu no início dos anos 60, quando a TV ainda dava seus primeiros passos no Brasil, tornando-se um dos pioneiros e mais influentes atores da sua geração. Ao longo de sua carreira na televisão, Francisco Cuoco se transformou em um galã lendário no imaginário popular dando vida a inúmeros personagens em novelas. Dentre tantos tipos, quatro em especial se destacaram com o grande público. O primeiro foi Fernando, em Redenção, entre 1966 e 1968, na extinta TV Excelsior. O misterioso médico acabou sendo "responsável" pelo primeiro transplante de coração no mundo, fazendo reviver a personagem Dona Marocas (Maria Aparecida Baxter), a fofoqueira da cidade que dava nome à trama e outro sucesso da trama de Raimundo Lopes. Cristiano Vilhena, em Selva de Pedra, na TV Globo, entre 1972 e 1973, escrita por Janete Clair, foi outro sucesso de audiência. A trajetória de um tipo de caráter dúbio, que busca ascensão social na cidade grande, e o par com Regina Duarte, que interpretou Simone Marques, conquistaram o País. O taxista José Carlos Moreno, o Carlão, também parou o Brasil em Pecado Capital, entre 1975 e 1976, também trama de Janete Clair para a TV Globo. A saga da mala de dinheiro roubada de um banco deixada em seu veículo que termina com sua própria morte nas obras do metrô, no Rio de Janeiro, emociona até hoje. O turbante, a simpatia e o poder de sedução de Herculano Quintanilha, protagonista de O Astro, entre 1977 e 1978, em outra história de Janete Clair para a TV Globo, reforçaram ainda mais o talento de Francisco Cuoco. Os conhecimentos de ilusionismo e vidência dele deixam todos boquiabertos, transformando-o em uma espécie de guru para quem o encontrava. A sua última participação na televisão foi na novela Salve-se Quem Puder, de 2020. Teatro No Teatro, Francisco Cuoco atou em 31 peças. São elas, O Anúncio Feito à Maria (1955), As Três Irmãs (1956), A Bilha Quebrada (1957), Os Apaixonados Pueris (1957), A Madona de Éfeso (1957), A Pedreira das Almas (1958), A Senhoria (1959), Quando se Morre de Amor (1959), Romanoff e Julieta (1959), Cristo Proclamado (1960), Com a Pulga atrás da Orelha (1960), Mambembe (1960), O Beijo no Asfalto (1961), O Médico Volante (1961), O Velho Ciumento (1961), O Homem, a Besta e a Virtude (1962), Panorama Visto da Ponte (1962), Boeing Boeing (1964), Boeing-Airbus (1965), A Infidelidade ao Alcance de Todos (1967), O Assalto (1969), Hedda Gabler (1985), Os Três Homens Baixos (2005), O Último Bolero (2006), Paixão de Cristo de Nova Jerusalém (2007), Circuncisão em Nova York (2008), Deus É Química (2009), Judy Garlandy e o Fim do Arco Íris (2012), Uma Vida no Teatro (2013), Electra (2015) e Paixão e Morte de Um Homem (2017). Cinema No cinema, Cuoco atuou em 11 filmes. São eles, Grande Sertão (1965), Pedro e Paulo (1961), Anuska, Manequim e Mulher (1968), Traição (1998), Gêmeas (1999), Um Anjo Trapalhão (2000), Os Xeretas (2001), O Castelo Narrador (2002), Cafundó (2005), Didi - O Caçador de Tesouros (2006) e Real Beleza (2015). Vida Pessoal Filho do feirante italiano Leopoldo Cuoco e de Antonieta, Francisco nasceu em 29 de novembro de 1933, em São Paulo, e cresceu no bairro do Brás. Primeiramente, Cuoco foi casado com a atriz Carminha Brandão, nos anos 1960. Com a segunda esposa Gina Rodrigues, o ator teve três filhos, Tatiana, Rodrigo e Diogo. Eles se separaram em 1984. Em 2013, assumiu relação com Thaís Almeida, 54 anos mais jovem do que ele e o romance chegou ao fim em 2017. São Vicente Em 2002, o ator Francisco Cuoco atuou com o Padre Gonçalo na 20ª Encenação da Fundação da Vila de São Vicente. O espetáculo foi encenado nas areias da praia do Gonzaguinha entre os dias 22 e 27 de janeiro. *com informações de Estadão Conteúdo.