A aventura da descoberta de novos mundos, uma dádiva da esperança, está no cerne do livro (Reprodução) Às vezes perto, às vezes longe, mundos descobrem-se todos os dias. A aventura da descoberta de novos mundos, uma dádiva da esperança, está no cerne do livro Travessias - Aventuras e Desventuras de Famílias Imigrantes, de Fábio Steinberg. Como o nome sugere, o autor, que é jornalista e administrador de empresas, se debruça sobre a imigração no Brasil. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Como 99,9% dos brasileiros, sou imigrante. Exceto os indígenas que aqui estavam, todos os brasileiros vieram de alguma parte, alguns forçados, outros de vontade própria, mas obrigados pelas circunstâncias”, analisa. Em 100 anos, entre meados dos séculos 19 e 20, só o Porto de Santos recebeu milhões de imigrantes, de dezenas de nacionalidades, especialmente da Europa, Ásia e Oriente Médio. Embora seja um livro de ficção, Travessias partiu da experiência pessoal do autor com a imigração. “Minha mãe, polonesa, deixou um diário”, revela. A partir daí, mergulhou numa pesquisa que durou quatro anos. “A parte mais difícil foi levantar como eram as condições no navio. Quase não há relatos da travessia. Falam muito de antes e de depois”. O resultado foi um livro ambientado no entre guerras, em 1926, abordando a imigração judaica ao Brasil. A obra acompanha um personagem pobre, saído da Moldávia com destino ao Rio de Janeiro. O outro núcleo, uma família abastada, dona de uma indústria de chapéus e luvas, deixa a Polônia e segue para São Paulo. Eis a primeira lição de ‘vida real’ da obra: pobreza ou riqueza se diluem, a imigração para um país distante impõe desafios que vão além da abastança. “Ao deixarem tudo para trás e chegarem aqui, de repente, aqueles poloneses percebem que não tinham nada”. Embora se debruce sobre a história de imigrantes judeus, Fábio faz questão de frisar que o livro tem um caráter universal, comum a todos os imigrantes que, por um motivo ou outro, se encontraram no Brasil. “A ficção e realidade se misturam, vão atuar nesse panorama histórico, com o Brasil de cenário. De repente, percebi que o livro representava não só um grupo, mas todos os imigrantes”. O tempo apaga Fábio tem 74 anos, trabalhou na comunicação de grandes empresas. Agora, debruça-se sobre a memória. Para preservá-la. Foi por isso que Travessias nasceu. “Eu carrego em mim a experiência do que eles (imigrantes) passaram. Mas conforme o tempo avança, isso se apaga. As novas gerações não têm ideia do que foi essa travessia”. Uma travessia que mescla angústia e esperança. Seja qual for o lugar de partida e o de chegada. Pois se dar adeus é difícil, mergulhar no desconhecido é desafiador. “O que é igual a todos os imigrantes: o sacrifício. Há luta, perseverança, garra de vencer, para que meus filhos e netos tenham destino melhor. É fazer tudo isso sem perder as raízes”. Serviço: Travessias - Aventuras e Desventuras de Famílias Imigrantes, de Fábio Steinberg. Editora Ipê das Letras. Preço: R\$ 67,00 (físico), R\$ 25,00 (e-book). www.livrariaipedasletras.com