Consquências físicas: infecções e lesões são riscos visíveis da onicofagia prolongada (Freepik) Roer unhas com frequência ultrapassa o status de mania inofensiva: a ciência mostra que o hábito — conhecido como onicofagia — está associado ao manejo emocional diante de ansiedade, tédio, perfeccionismo e até transtornos psiquiátricos. Embora muitas vezes inconsciente, esse comportamento pode oferecer alívio imediato, mas traz implicações físicas e emocionais significativas que exigem atenção e conscientização. 1. Mecanismo inconsciente para alívio emocional A onicofagia é frequentemente uma resposta automática a emoções como ansiedade, tédio ou estresse. O ato de roer funciona como uma válvula de escape, promovendo uma sensação temporária de calma ou bem-estar por meio do sistema sensorial tátil. 2. Impulsos ligados a perfeccionismo e autocrítica Estudos analisam a repetição de roer unhas como um sinal de personalidade perfeccionista. Pessoas com esse traço podem expressar frustração ou incapacidade de relaxar através desse comportamento. 3. Relação com transtornos psicológicos A prática pode estar inserida no espectro dos chamados BFRBs — “body-focused repetitive behaviors” — e está ligada a condições como TDAH, TOC, transtornos de ansiedade crônica e, em casos severos, depressão. 4. Consequências físicas e emocionais Além dos riscos como infecções nas cutículas, desgaste dental e lesões na pele, roer unhas pode abalar a autoestima, gerar constrangimento social e impactar relacionamentos. Ciência e estratégias para controlar o hábito Substituir o gesto Pesquisas sugerem que tocar suavemente outra região do corpo (como palma da mão) quando surge a vontade de roer reduz o hábito em mais da metade dos casos. Técnicas comportamentais e de aversão Uso de esmaltes com gosto amargo, luvas, manicures frequentes e exercícios de consciência como o habit reversal training ajudam a criar barreiras e reduzir o impulso. Tratamento clínico Transtornos associados à onicofagia podem demandar terapia cognitivo-comportamental ou, em alguns casos, medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos, sempre sob supervisão médica.