Hugh Jackman interpreta um pastor que lê romances policiais para o seu rebanho em As Ovelhas Detetives (Divulgação) Um pastor solitário lê romances policiais em voz alta para suas ovelhas toda noite, sem imaginar que elas estão absorvendo cada palavra. É dessa premissa improvável – e irresistível – que nasce As Ovelhas Detetives, já nos cinemas da região. Na história, George Hardy (Hugh Jackman) é um homem de poucas palavras e muita afeição pelos animais. Ele não tem celular, não tem muita paciência para gente, e faz da leitura noturna para o seu rebanho um ritual sagrado. O que ele nunca imaginou é que, quando um crime abala a paz da fazenda, serão exatamente essas ovelhas – cultas, perspicazes e determinadas – as responsáveis por desvendar o mistério. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em entrevista, Jackman não economizou entusiasmo ao contar como foi fisgado pela trama simples. “Quando recebi o roteiro, me disseram: é uma mistura de Babe: O Porquinho Atrapalhado com Entre Facas e Segredos”. O roteirista é Craig Mazin – o mesmo de Chernobyl e The Last of Us –, e a direção ficou a cargo de Kyle Balda, de filmes do universo de Meu Malvado Favorito. Uma combinação que, segundo Jackman, resulta em algo que vai além das categorias. “É um filme sobre crescer, em todas as suas formas”, diz. “Sobre as verdades difíceis, as coisas assustadoras que às vezes a gente não quer encarar. Quando vi o resultado final, chorei e ri”. O ator, que tem 57 anos, completou com uma dose de humor certeiro. “É um filme que eu veria como adulto, levaria meus filhos – quase netos – para ver, e recomendaria para qualquer pessoa”. A ovelha intelectual Lily é uma personagem com profundidade: ela adora o pastor, usa o que aprendeu com as leituras para investigar o crime e passa por uma transformação genuína na trama. “Ela tem um arco real”, explicou Julia. “Sua personagem cresce de uma forma muito significativa ao longo do filme”. O desafio de dar vida a uma ovelha apenas com a voz, sem câmeras, sem figurino, sem o parceiro de cena de verdade, foi desafiador. “Eu ficava num estúdio escuro, de fone de ouvido, com o roteiro na mão”, conta. “Alguém na outra sala lia as outras falas. E eu precisava imaginar que estava numa colina, com as outras ovelhas, tentando resolver um crime”. Ela admitiu que, no fundo, prefere usar o corpo inteiro quando atua. Mas viu beleza no desafio. “Ver tudo junto no produto final é algo que simplesmente explode sua cabeça. Fiquei encantada”. Perguntada sobre como substitui a expressão física – sua arma secreta como comediante – ao trabalhar só com a voz, Julia deu uma resposta que resume bem quem ela é: “Eu pulo bastante pelo estúdio. Vocês não veem isso, mas acreditem, eu fico pulando”. No final das contas, As Ovelhas Detetives lembra Babe não só pelo clima da fazenda, como também por ser um projeto que grandes estúdios não abraçam mais: um filme médio, para a família. Questionado, Jackman foi certeiro sobre o que quer que o filme cause. “Espero que as pessoas saiam com um sorriso no rosto, o coração aberto e sem pedir cordeiro no jantar”, respondeu, aos risos. Rotina O filme foi rodado na campina britânica, com diárias de 12 horas, chuva constante e um detalhe curioso: os atores humanos precisavam contracenar com pedaços de papelão e bolas de prata sobre as quais, mais tarde, seriam inseridas as ovelhas digitais. Já para Jackman, a produção escalou um titereiro profissional para operar uma ovelha de tamanho real durante as gravações. “Eu conseguia ver emoção, nuance, pensamento naquele boneco. Foi lindo. E de repente me vi conversando com uma ovelha que parecia capaz de me responder”.