Aprovado no Brasil para o tratamento do diabetes tipo 2, o Mounjaro também é prescrito por médicos para tratar obesidade e perda de peso (Imagem ilustrativa/Unsplash) Prestes a ser lançado oficialmente no Brasil, o Mounjaro já traz boas expectativas para quem quer vencer a guerra contra a balança. O princípio ativo do medicamento, a tirzepatida, já é usado em tratamentos contra a obesidade pelo País, mas de forma manipulada. Celebridades nos Estados Unidos, como o bilionário Elon Musk, e no Brasil, como a cantora Jojo Todynho, já fizeram uso da medicação. Na Baixada Santista, a procura pela substância tem sido crescente, assim como a prescrição por parte de médicos especializados no tema. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O endocrinologista Reinaldo Martins, especializado em medicina do esporte e do exercício, conta com cerca de 150 pacientes realizando tratamento com a tirzepatida em uma clínica de Santos. Ele destaca que a procura pelo fármaco na região tem sido crescente, assim como a busca por esclarecer dúvidas quanto ao seu uso. "Os resultados têm sido muito positivos, tanto na perda de peso geral, como na melhora das suas taxas e melhoras de saúde de um jeito globalizado. Quando você melhora sindromes metabólicas do paciente, com o uso dessa medicação, ele apresenta melhora de saúde geral", explica o médico em entrevista para A Tribuna. O Mounjaro está registrado no Brasil desde 2023, sendo aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento contra diabetes tipo 2. Ainda não há autorização oficial da Anvisa para o uso da medicação contra obesidade e perda de peso, algo que já ocorre nos Estados Unidos, com aprovação da agência local (Food & Drug Administration - FDA). Em solo americano, o remédio leva o nome de Zepbound. No Brasil, o fármaco vem sendo prescrito por médicos de maneira off label (sem seguir a homologação) para tratar a perda de peso. Princípio ativo do Mounjaro, a tirzepatida, já é usado de forma manipulada em tratamentos contra a obesidade na Baixada Santista (Divulgação/Eli Lilly) Celebridades ao redor do mundo já declararam terem tido bons resultados com o uso do Mounjaro. Entre eles, está o bilionário Elon Musk, dono da rede social X, da montadora Tesla e atual chefe do Departamento de Eficiência Governamental dos Estados Unidos. Astros de Hollywood, como Oprah Winfrey, Kelly Osbourne e Whoopi Goldberg, também integram a lista dos que já utilizaram o Mounjaro. No Brasil, o medicamento foi usado pelos cantores Jojo Todynho e Wesley Safadão. O lançamento oficial do Mounjaro no Brasil está previsto para 7 de junho, conforme anúncio da farmacêutica Eli Lilly. A medicação injetável ainda não tem preço de mercado definido, mas é possível ter uma noção do valor máximo estipulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). No Estado de São Paulo, o preço máximo é de R\$ 3.791,07. O que é o Mounjaro? Reinaldo Martins explica que a medicação consiste na combinação de dois hormônios, atuando no controle dos índices de glicose, na resistência insulínica e na saciedade precoce, provocando uma melhora geral no metabolismo do paciente. "Temos percebido efeitos muito positivos em relação a utilização da tirzepatida. (Ocorre) A perda de peso corporal, com manutenção da massa magra. O paciente precisa perder gordura propriamente dita, massa gorda, em vez de perder massa muscular (massa magra). (Percebe-se) Uma saciedade bem precoce, diminuição do apetite de forma geral, diminuição da vontade e compulsão por doces, que atrapalham no processo de emagrecimento", destaca o médico. O princípio ativo da tirzepatida rivaliza diretamente com remédios a base de semaglutida, como o Ozempic, também usado por celebridades na luta contra a balança. De acordo com o médico de Santos, o fármaco que compõe o Mounjaro leva vantagem por fazer analogia a dois hormônios, contra apenas um do concorrente direto. Bilionário Elon Musk é uma das celebridades que utilizou o Mounjaro (Reprodução/Facebook) Efeitos colaterais Reinaldo Martins alerta ainda que o uso da tirzepatida pode provocar diferentes efeitos colaterais no paciente. Entre eles, estão náuseas, vômitos e diarreia. Segundo ele, isso ocorre porque é uma medicação que trabalha no sistema gastrointestinal. "Esses efeitos existem sim, e principalmente quando as pessoas fazem (uso) sem orientação de um profissional". Apesar disso, o endocrinologista ressalta que a medicação pode ser usada de forma contínua, com tratamento a ser definido pelo médico responsável, tomando como base as características de cada paciente. "Temos segurança de prescrever esse tipo de medicação por um longo período", afirma. O médico também orienta que o paciente tenha uma hidratação adequada durante o tratamento com Mounjaro. Recomenda-se ainda a ingestão de alimentos ricos em fibras, que o paciente tenha boas noites de sono, pratique atividade física e não fique longos intervalos sem se alimentar. "Aqui na Baixada Santista, muitas pessoas procuram por esse tipo de medicamento. As pessoas têm cada vez mais visto isso em redes sociais e informações pela internet, e querem saber se podem fazer uso ou se tem indicação. Isso é bom, porque muita gente faz uso de forma indiscriminada, sem orientação profissional, e pode acabar fazendo coisa errada, com efeitos indesejáveis", comenta Martins. Cantora Jojo Todynho fez uso de medicações como Mounjaro e Ozempic na luta para emagrecer (Reprodução/Instagram) Anvisa A Reportagem de A Tribuna procurou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a respeito da autorização do uso do Mounjaro no Brasil para tratamento contra a obesidade. Em nota, o órgão público disse que o medicamento está registrado no Brasil desde setembro de 2023. O registro permite que o remédio seja comercializado e distribuído no país. "A partir do registro, a definição sobre sua introdução no mercado é da empresa detentora do registro. Assim, o produto está regularizado no Brasil para as indicações aprovadas em bula. As recomendações da Anvisa são aquelas que constam em bula, pois representam o resultado da análise e estudos do medicamento", disse a agência reguladora. Na nota, a Anvisa ressaltou ainda que o Mounjaro está registrado no Brasil na classe dos antidiabéticos, "sendo indicado para o controle glicêmico em pacientes diabéticos". Por fim, o órgão ressaltou que eventuais pedidos de ampliação ou alteração de indicações de medicamentos "devem ser verificados junto ao fabricante".