Manchas vermelhas pelo corpo estão entre os sintomas de lúpus (Imagem ilustrativa/Freepik) O Dia Mundial do Lúpus, celebrado neste sábado (10), retoma as atenções para uma doença crônica, inflamatória e autoimune. O problema pode afetar vários órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro. O Ministério da Saúde alerta que, em casos mais graves, pode causar a morte. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Cientificamente, a doença é nomeada como Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Ela é conhecida, especialmente, por dois tipos: o cutâneo, que se manifesta com manchas na pele, e o sistêmico, quando um ou mais órgãos internos são acometidos. Dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia apontam que a doença atinge de 150 mil a 300 mil pessoas no Brasil, especialmente mulheres em idade fértil. O lúpus afeta o sistema imunológico, que geralmente protege o corpo de infecções, mas pode se desprender para múltiplos tecidos e órgãos do corpo. A reumatologista Luiza Fuoco, que atua em Santos, acredita que é fundamental combater o preconceito e a desinformação para evoluir no tratamento do problema. "O lúpus é uma doença séria, mas não precisa definir a vida do paciente. Com tratamento adequado e suporte, é possível estudar, trabalhar, ser mãe, viajar e viver com plenitude. O diagnóstico precoce e o acesso a medicamentos modernos são as maiores armas que temos", enaltece. Sintomas Dores persistentes nas articulações, manchas vermelhas na pele (que pioram com a exposição ao sol), febre sem causa aparente, queda de cabelo, fadiga intensa e alterações renais estão entre os sintomas de lúpus. Um alerta feito pela reumatologista é sobre os sintomas de lúpus serem semelhantes a outras doenças. "Os sintomas são variados e nem sempre surgem de forma clara, fazendo com que possa ser confundido com artrite reumatoide ou síndrome de Sjögren. Mas o lúpus tem um padrão próprio de sintomas e autoanticorpos", explica a médica da Imuno Santos. A variedade de sintomas costuma dificultar o diagnóstico. Diferentes exames podem ser solicitados para constatar se o paciente está com lúpus. Entre eles, estão hemograma completo, radiografia do tórax, exame de urina, biópsia renal e exame de anticorpos. Causas As causas do lúpus podem estar ligadas a fatores hormonais, infecciosos, genéticos e ambientais. Apesar disso, o Ministério da Saúde ressalta que não se sabe a causa concreta, já que a destruição de tecidos saudáveis do corpo por parte do sistema imunológico "é um comportamento anormal do organismo". Tratamento A forma de tratar a doença varia conforme sua gravidade. O Ministério da Saúde ressalta que o tratamento para o lúpus "é mais paliativo e tem por objetivo controlar os sintomas, melhorando a qualidade de vida da pessoa", já que a doença não possui cura. Casos leves podem ser tratados com anti-inflamatórios, protetor solar e corticoides. Em casos graves de lúpus, podem ser prescritos medicamentos que bloqueiem o crescimento celular, além de corticoides com maior intensidade. Mas atenção: é fundamental procurar ajuda médica assim que os primeiros sintomas forem identificados. "Antigamente, os corticoides eram a principal ferramenta (para o tratamento). Hoje contamos com imunomoduladores modernos e medicamentos biológicos, que ajudam a controlar a doença com menos efeitos colaterais. O objetivo é a remissão, com o paciente sem sintomas ativos", explica Luiza Fuoco.