A discussão entre jejum intermitente e déficit calórico mostra que não existe fórmula mágica (Divulgação / Freepik) Em meio a tantas dietas e métodos que prometem resultados, duas estratégias dominam o debate atual: o jejum intermitente e o déficit calórico. O primeiro conquistou adeptos por ser prático e “diferente do convencional”, enquanto o segundo é apontado por especialistas como o princípio básico para qualquer emagrecimento eficaz. Mas afinal, qual funciona mais? E existe um método “melhor” para todos os casos? Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é jejum intermitente? O jejum intermitente não é exatamente uma dieta, mas um padrão alimentar. Nele, a pessoa alterna períodos de jejum (sem ingerir calorias) com períodos de alimentação. Os protocolos mais comuns são: 16h de jejum e 8h de alimentação; 18h de jejum e 6h de alimentação; Jejum de 24h em dias alternados. Durante o jejum, é permitido beber água, café sem açúcar e chás. A ideia é que, ao reduzir a janela de alimentação, a pessoa consuma naturalmente menos calorias e, consequentemente, emagreça. O que é déficit calórico? Já o déficit calórico é o princípio mais clássico da nutrição: gastar mais energia do que se consome. Isso pode ser feito ajustando a alimentação, aumentando a prática de exercícios físicos ou combinando os dois. Esse conceito é considerado universal: independentemente do método adotado, sem déficit calórico não há emagrecimento sustentável. O que diz a ciência? Pesquisas recentes ajudam a esclarecer a polêmica: Um estudo publicado no New England Journal of Medicine apontou que o jejum intermitente pode trazer benefícios além da perda de peso, como melhora na sensibilidade à insulina e redução de marcadores inflamatórios. Já uma meta-análise disponível na Annual Review of Nutrition concluiu que não existe diferença significativa na perda de peso entre quem faz jejum intermitente e quem segue uma dieta com déficit calórico tradicional — desde que as calorias ingeridas sejam equivalentes. Nutricionistas reforçam que a grande vantagem do jejum intermitente é a adesão: para algumas pessoas, restringir horários de alimentação é mais fácil do que controlar porções ao longo do dia. Vantagens e desvantagens de cada método Jejum intermitente Pode melhorar a disciplina alimentar; Favorece a redução natural de calorias; Pode causar fome excessiva em algumas pessoas; Não é indicado para gestantes, diabéticos sem acompanhamento ou pessoas com histórico de transtornos alimentares. Déficit calórico É flexível e adaptável ao estilo de vida; Base científica sólida e comprovada; Exige maior controle e planejamento das refeições; Pode ser difícil manter a longo prazo sem orientação profissional. O que emagrece mais, afinal? Especialistas são unânimes: o déficit calórico é a chave do emagrecimento. O jejum intermitente pode ser uma estratégia eficaz para atingir esse déficit, mas não é superior a outros métodos. Em outras palavras, quem perde peso com jejum intermitente o faz porque está consumindo menos calorias — e não porque o corpo “queima gordura mais rápido” por estar em jejum.