(Pixabay) Considerada uma das tecnologias mais revolucionárias da atualidade, a impressão 3D tem trazido benefícios nos mais diversos setores. Um deles está na construção civil, com incríveis ganhos e respeito ao meio ambiente. “Já existe empresa imprimindo casas inteiras, o que reduz bastante os custos e o tempo das obras. Para se ter uma ideia, casas que antes demoravam meses para serem construídas, agora são erguidas em semanas”, afirma o mestre em Engenharia Sergio Schina de Andrade, coordenador do Laboratório de Inovação (InovFabLab) da Unisanta. A rapidez e a economia não se restringem às residências. Também dizem respeito a pontes e estruturas arquitetônicas complexas diretamente no local ou em fábricas. “O melhor é que o processo é sustentável. Por exemplo: a impressora usa só o material necessário, o que diminui bastante o desperdício, e já tem empresas misturando resíduos reciclados ao concreto usado na impressão”, explica Schina. Uma das principais aplicações está na impressão de elementos estruturais, como paredes, pilares e lajes, além de componentes personalizados, como molduras e ornamentos. “A capacidade de criar formas únicas e adaptadas a cada projeto é um grande diferencial. Já se fala também na impressão de edifícios inteiros usando misturas de concreto especiais e até materiais reciclados”, acrescenta Schina. Energia O mestre em Engenharia também lembra que a impressão 3D permite que sejam criadas construções mais eficientes em termos de energia, com isolamento térmico melhor, o que reduz o consumo no dia a dia. “É um avanço incrível: menos lixo, menos impacto ambiental e obras finalizadas em semanas, em vez de meses ou anos. A gente está falando de casas mais acessíveis, sustentáveis e adaptadas para o futuro”, afirma. Vantagens Redução de resíduos: só o material necessário é utilizado, evitando desperdício; Uso de materiais sustentáveis: muitas empresas estão desenvolvendo misturas que incluem plásticos reciclados e resíduos industriais, como cinzas e vidro moído; Eficiência energética: tanto na construção (menos máquinas funcionando por menos tempo) quanto no uso diário, já que as construções podem ser projetadas para serem mais eficientes; Menor impacto no transporte: ao imprimir diretamente no local, evita-se o transporte de materiais e componentes pré-moldados, o que reduz emissões de carbono. Desvantagens Tecnologia ainda se encontra em desenvolvimento, o que significa que algumas impressoras têm limitações de tamanho e materiais; Custo inicial da instalação de equipamentos pode ser alto, o que pode afastar pequenas construtoras; Dependência de mão de obra especializada para operar as máquinas, o que pode ser um desafio em locais com pouca capacitação técnica. Objetos simples, complexos e sob medida: tudo é possível fazer camada por camada A impressão 3D permite que objetos complexos sejam criados de maneira rápida, eficiente e personalizada. O processo funciona camada por camada, como se o objeto estivesse sendo ‘desenhado’ fisicamente direto de um modelo digital, sem precisar de moldes ou processos tradicionais e trazendo soluções que, antes, pareciam impossíveis. “Isso é incrível porque dá muita liberdade para fabricar coisas personalizadas, rápidas e com pouquíssimo desperdício”, afirma o mestre em Engenharia Sergio Schina de Andrade. No que diz respeito aos equipamentos para a produção, Schina conta que existem desde impressoras menores, usadas em casa ou em escritórios para criar objetos simples como brinquedos ou acessórios, até as industriais que trabalham com metais, resinas, cerâmicas e até concreto, como acontece na construção civil. Além disso, novas técnicas, como a impressão multimaterial (vários materiais no mesmo objeto), têm ampliado ainda mais as possibilidades dessa tecnologia. "O processo começa com um modelo em 3D (feito em softwares como AutoCAD ou Fusion 360), depois esse modelo é convertido para a impressora, que ‘desenha’ o objeto camada por camada. Parece mágica, mas é pura ciência”, enumera o mestre em Engenharia. No presente A construção civil é apenas um dos exemplos em que a impressão 3D pode ser aplicada. Há outras utilizações igualmente em curso em áreas absolutamente diferentes, segundo o mestre em Engenharia Sergio Schina de Andrade, coordenador do Laboratório de Inovação (InovFabLab) da Unisanta. “Na medicina, por exemplo, ela é usada para fazer próteses personalizadas, guias cirúrgias e até modelos anatômicos que ajjdam médicos em cirurgias complexas. Imagine um paciente recebendo uma prótese feita sob medida, adaptada exatamente às suas necessidades”, descreve. Na indústria automotiva e aeroespacial, a tecnologia está acelerando o desenvolvimento de protótipos e criando peças superleves e resistentes. Até componentes finais já estão sendo produzidos. “Esses setores se beneficiam porque conseguem economizar tempo e dinheiro no desenvolvimento de novos produtos”, afirma. Schina lembra também que a moda e o design também abraçaram a tecnologia, com acessórios e produtos exclusivos. “Hoje, é possível criar joias, roupas e acessórios únicos, explorando formas e texturas que seriam impossíveis com métodos tradicionais”, explica. Educação Outro campo interessante é a educação. Escolas e universidades estão usando impressoras 3D para ajudar os alunos a entender conceitos abstratos, como os ligados à Física e à Biologia, de maneira prática. “Isso tudo acontece porque a impressão 3D une criatividade, personalização e eficiência, atendendo demandas que variam de personalização a produção em massa”, completa. O próprio InovFabLab chegou a criar um projeto ligado à educação e à acessibilidade para deficientes visuais: o Porto às Cegas. O projeto oferece a experiência de se sentir dentro do Porto, por intermédio de protótipos de navios, que medem 13 centímetros (cm) de largura por 32,5 cm de comprimento, e contêineres. Eles foram feitos de propileno em impressoras 3D do local. Áudios com todos os sons de navegação e de movimentação de cargas complementam a iniciativa. A vivência ainda contempla a leitura por meio do tato e nas principais partes dos protótipos pelas identificações em braile. “Os equipamentos utilizados foram, basicamente, impressoras 3D, cortadora a laser e software de modelagem 3D. A parte de braile foi feita à mão. As partes foram cortadas em pedaços, e fixamos as peças usando sopradores térmicos, aquecendo e derretendo o plástico para que elas grudassem”, detalha o coordenador. Em comum Apesar dos setores citados pelo mestre em Engenharia apresentarem grandes diferenças, há algo em comum responsável por fazer com que todas se encontrem em nome do sucesso. “Elas precisam de inovação, rapidez e soluções sob medida, e a impressão 3D oferece tudo isso”, afirma. No futuro O futuro da impressão 3D em diversos setores de atuação é mais do que promissor, afirma o mestre em Engenharia, Sergio Schina de Andrade. Na saúde, a grande expectativa é pela impressão de órgãos humanos funcionais para transplantes. “Imagine um rim ou coração feito sob medida, eliminando filas de transplante e salvando milhões de vidas”, projeta. Também há grandes promessas no setor de alimentação, onde já se desenvolvem itens personalizados e até adaptados para atender necessidades nutricionais específicas. “Por exemplo, uma refeição impressa com proteínas ajustadas para um atleta ou um idoso”, cita. Outro campo que está crescendo, de acordo com Schina, é o de energias renováveis, com peças específicas para turbinas eólicas (equipamento que tem por finalidade transformar a energia cinética dos ventos em eletricidade, por intermédio de aerogeradores, painéis solares e baterias, ajudando na transição para uma economia mais verde e sustentável. E não é só. “Tudo isso reforça que a impressão 3D não é só uma tendência, mas um pilar do que chamamos de ‘fabricação do futuro’”, finaliza o mestre em Engenharia.