(Divulgação / Freepik) Desde 2020, o modelo híbrido e remoto vem sendo avaliado por empresas e especialistas: até que ponto ele melhora a produtividade? Agora, estudos apontam ganhos claros, mas decisões recentes, como as demissões no Itaú em 8 de setembro de 2025, reacendem dúvidas e discussões. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A pesquisa mostra: produtividade tende a subir Pesquisas de organizações como a Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que a maioria das empresas brasileiras registrou aumento de produtividade com o home office, graças à redução do deslocamento, flexibilidade e autonomia. Estudo da Universidade de Stanford chegou a apontar um crescimento médio de 13% na eficácia dos trabalhadores remotos. Por que a produtividade pode despencar? Entretanto, o trabalho em casa também expõe fragilidades: dificuldades para separar vida pessoal e profissional, excesso de reuniões, falta de infraestrutura adequada, sensação de isolamento e possíveis sobrecargas — todos fatores que podem comprometer o rendimento. O caso Itaú: produtividade em xeque ou desconfiança institucional? Na última segunda-feira (8), o Itaú Unibanco demitiu cerca de mil funcionários que atuavam no regime híbrido ou remoto, motivando uma enorme repercussão. O banco justificou a decisão como resultado de uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada”, citando “padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança” como base para os desligamentos. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, os desligamentos ocorreram sem advertência prévia ou qualquer diálogo — mesmo após seis meses de monitoramento das máquinas corporativas dos funcionários. Em alguns casos, foram registradas quatro horas ou mais de suposta inatividade, critério considerado "extremamente questionável" pela entidade. Desdobramentos e reação sindical O sindicato repudiou as demissões e pediu explicações formais do banco, afirmando que, com lucros bilionários, mais de R\$ 22,6 bilhões no semestre, o Itaú deveria investir em melhores condições de trabalho, não cortes. O banco, por sua vez, ressaltou que optou por esse tipo de avaliação como parte de um processo de “gestão responsável” e proteção de sua cultura organizacional. A produtividade está em teste: o que o futuro reserva Os dados mostram que o trabalho remoto pode sim elevar a produtividade, especialmente quando bem estruturado e com apoio técnico e psicológico. Mas casos como o do Itaú expõem os riscos de adoção de monitoramentos por sistemas de telemetria sem transparência ou suporte. O equilíbrio entre flexibilidade e controle, confiança e desempenho é delicado, e segue sendo o principal desafio das organizações pós-pandemia.