Exposição solar moderada, principalmente nos braços e pernas, é uma das principais formas de ativar a produção natural de vitamina D no organismo (Vanessa Rodrigues / AT) A deficiência de vitamina D é um problema de saúde pública cada vez mais comum, especialmente entre pessoas que passam longos períodos em ambientes fechados. Com funções que vão muito além da absorção de cálcio, a vitamina D tem papel fundamental no sistema imunológico, no funcionamento neuromuscular e até na regulação do humor. A carência do nutriente pode causar diversos efeitos negativos no organismo — muitos deles silenciosos no início — e evoluir para condições graves se não for tratada. A vitamina D é uma substância lipossolúvel produzida principalmente pela pele após exposição à luz solar. Também pode ser obtida em quantidades menores por meio da alimentação e de suplementos. No entanto, a vida moderna, com longas jornadas em ambientes fechados e uso constante de protetor solar, tem contribuído para a alta prevalência da hipovitaminose D. Sinais comuns da deficiência Entre os sintomas mais comuns da falta de vitamina D estão a fadiga frequente, dores musculares, fraqueza, baixa imunidade e até alterações de humor. Estudos indicam que níveis insuficientes desse nutriente podem estar associados a quadros de ansiedade e depressão, principalmente em adultos jovens e idosos. Além disso, a deficiência prolongada pode afetar diretamente a saúde dos ossos. A falta de vitamina D prejudica a absorção de cálcio, aumentando o risco de osteopenia, osteoporose e, em casos mais graves, fraturas. Em crianças, pode provocar raquitismo, uma condição que compromete o crescimento e o desenvolvimento ósseo. Imunidade em risco O sistema imunológico também depende da vitamina D para funcionar adequadamente. Baixos níveis do nutriente podem deixar o organismo mais suscetível a infecções respiratórias, gripes frequentes e doenças autoimunes. Em idosos, a deficiência pode agravar doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. Quem corre mais risco Idosos, pessoas com pele mais escura, obesos, gestantes, lactantes e indivíduos que vivem em regiões com baixa incidência solar têm maior probabilidade de desenvolver deficiência de vitamina D. O uso de certos medicamentos, como anticonvulsivantes e corticoides, também pode interferir na absorção do nutriente. Diagnóstico e tratamento A deficiência de vitamina D é diagnosticada por meio de exame de sangue. Os níveis ideais variam de acordo com a idade e o estado de saúde, mas, em geral, valores abaixo de 20 ng/mL são considerados insuficientes. O tratamento pode envolver mudanças na rotina para aumentar a exposição solar, suplementação oral e, em alguns casos, ajustes alimentares. Alimentos como peixes gordurosos (salmão, sardinha), ovos, fígado bovino e leite fortificado podem contribuir com pequenas quantidades do nutriente, mas dificilmente suprem as necessidades diárias sozinhos. Exposição solar na medida certa Especialistas recomendam entre 15 a 30 minutos de exposição solar direta por dia, preferencialmente nos horários com menor risco de radiação ultravioleta. A quantidade de tempo pode variar conforme o tom de pele e a área do corpo exposta. Ainda assim, a orientação médica é fundamental para evitar danos provocados pelo excesso de sol.