O consumo de suplementos proteicos, especialmente o whey protein, tornou-se comum, mas pede cuidados (Adobe Stock) O consumo de suplementos proteicos, especialmente o whey protein, tornou-se comum entre pessoas que praticam atividade física e buscam ganho de massa muscular. No entanto, especialistas alertam que o uso indiscriminado pode representar uma sobrecarga para os rins, principalmente para quem já apresenta fatores de risco para doença renal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a nefrologista Caroline Reigada, que atua em Santos e também trabalha com medicina integrativa, muitas pessoas utilizam suplementos sem saber se o organismo está preparado para lidar com o aumento da ingestão de proteínas. Rins silenciosos “Os rins são órgãos silenciosos. Eles não costumam dar sinais claros quando começam a sofrer, e por isso, muitas alterações passam despercebidas por anos”, afirma a médica. Proteína ajuda no músculo, mas não precisa vir em suplemento. O whey protein é uma proteína de alto valor biológico e rico em aminoácidos essenciais, especialmente leucina, substância importante para estimular a síntese de proteínas musculares. Estudos científicos indicam que cerca de 25 a 30 gramas de proteína de alta qualidade por refeição já são suficientes para estimular a construção muscular em adultos jovens. De acordo com a nefrologista, esse objetivo pode ser alcançado também com alimentos naturais. “Um scoop de whey é apenas uma forma prática de atingir a quantidade necessária de proteína. Aproximadamente 100 a 130 gramas de frango, 120 gramas de carne magra ou cinco ovos oferecem estímulo fisiológico semelhante”, explica Caroline. Ela destaca ainda o conceito da “matriz alimentar”, que considera a interação entre proteínas, gorduras, fibras e micronutrientes presentes nos alimentos naturais. “Alimentos integrais funcionam como um sistema biológico completo. O suplemento não substitui a qualidade da alimentação”, diz ela. Risco renal desconhecido Outro ponto de atenção é que muitas pessoas desconhecem que possuem algum grau de comprometimento renal. Estudos internacionais apontam que entre 10% e 13% da população adulta pode ter doença renal crônica, muitas vezes sem apresentar sintomas. Segundo a médica, fatores como obesidade, hipertensão e diabetes contribuem para o aumento desses casos. “Muita gente pode estar com hiperfiltração renal, que é um aumento do trabalho do rim, sem saber. E acaba usando suplementos proteicos acreditando que está apenas cuidando da saúde”. Ingestão adequada de proteínas Conforme a especialista, a recomendação de ingestão de proteínas varia de acordo com o perfil de cada pessoa. Para adultos sedentários, a orientação geral é de cerca de 0,8 grama de proteína por quilo de peso corporal por dia. Já pessoas que praticam exercícios regularmente podem necessitar de 1,4 a 2 gramas por quilo ao dia, dependendo da intensidade da atividade. No caso de pacientes com doença renal crônica, a ingestão pode precisar ser reduzida. “A mesma dose de proteína pode ser adequada para um atleta saudável, excessiva para alguém com obesidade e potencialmente prejudicial para quem já tem doença renal”, alerta a médica. Caroline destaca que o principal fator para ganho de massa muscular continua sendo o treinamento físico, especialmente exercícios de resistência. A suplementação pode ser útil em situações específicas, como a dificuldade de atingir metas nutricionais apenas com alimentação. Porém, segundo a especialista, não deve ser usada sem orientação. Avaliação prévia é essencial “A questão central não é se o whey protein é bom ou ruim. O importante é saber como estão seus rins antes de aumentar a ingestão de proteínas”. A nefrologista ressalta que exames simples podem ajudar nessa avaliação, como análise da taxa de filtração glomerular, creatinina, presença de albumina na urina e controle da pressão arterial. “Antes de suplementar, a questão mais importante é saber se o organismo está preparado para receber o que eu estou oferecendo a ele”.