Santuário da Aparecida, Templo de Salomão e Templo Guaracy do Brasil (Valter Campanato/Agência Brasil, Reprodução/Instagram e Agência Brasil) O turismo religioso ganha cada vez mais espaço no Estado de São Paulo com passeios e atrações voltados tanto a devotos quanto para aqueles que não têm vínculos com uma religião, mas admiram programas marcados por história, arquitetura e tradições. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o Ministério do Turismo, o segmento movimenta R\$ 15 bilhões por ano apenas em terras paulistas e 17,7 milhões de viajantes. No Vale do Paraíba, por exemplo, mais de 10 milhões de pessoas visitaram o Santuário Nacional de Aparecida, em 2025. Dos 45 guias turísticos que o Estado possui, elaborados pelo governo paulista, sete são destinados ao turismo religioso. Os roteiros passam por santuários católicos e espaços evangélicos até museus judaicos, templos budistas, mesquitas e terreiros ligados às religiões de matriz africana. O domingo+ detalha alguns deles, que podem ser consultados na íntegra no site. Fazenda Nova Gokula, Mesquita Brasil, Templo Zu Lai e Museu Judaíco (Reprodução/Facebook, Reprodução/Facebook, Adobe Stock e Marcelo Pereira/Secom) Catolicismo No turismo católico, o grande destaque é Aparecida. A cidade recebe cerca de 12 milhões de devotos por ano e abriga o Santuário Nacional, o maior templo mariano do mundo, com capacidade para 75 mil visitantes. Esse é o roteiro mais conhecido do turismo religioso em São Paulo. Ele costuma atrair visitantes que viajam por devoção, promessas, agradecimento ou tradição familiar. Além de Aparecida, o guia também chama atenção para outros pontos do Vale do Paraíba, como Guaratinguetá, ligada à devoção a Frei Galvão, e Cachoeira Paulista, sede da Canção Nova. Para quem quer transformar a viagem em uma experiência mais longa, o Guia Turístico Católico de São Paulo também cita duas rotas peregrinas: o Caminho da Fé e a Rota da Luz. Elas ampliam o percurso e conectam espiritualidade, caminhada e passagem por cidades do Interior. Evangélico No roteiro evangélico, um dos pontos mais estruturados para visitação é o Templo de Salomão, em São Paulo. O local se destaca porque a visita não se resume ao templo em si. O passeio inclui quatro espaços temáticos: Espaço Egípcio, réplica do Tabernáculo, Memorial de Jerusalém e Jardim das Oliveiras. O percurso é guiado, dura cerca de 1h20 e pode ser feito em português, inglês, espanhol e Libras, com agendamento prévio nesta última opção. Judaísmo No turismo judaico, dois espaços se destacam na Capital paulista. O primeiro é o Museu Judaico de São Paulo, na Bela Vista, o maior da América Latina. O local reúne exposições sobre rituais, tradições e os 500 anos da presença judaica no Brasil, além de atividades educativas e acervo para pesquisa. O segundo é o Memorial do Holocausto e da Imigração Judaica, instalado na primeira sinagoga do Estado, no Bom Retiro, também na Capital. O espaço oferece entrada gratuita e propõe uma visita voltada à memória do Holocausto, da imigração judaica e da formação da comunidade em São Paulo. O roteiro combina religião, cultura e história em uma mesma experiência. Budismo Entre os atrativos ligados às religiões orientais, o Templo Zu Lai, em Cotia, é um dos mais conhecidos. Esse é o maior templo budista da América do Sul, onde se desenvolvem atividades culturais, educacionais, sociais e religiosas, além de difundir o budismo em português. Para quem procura um passeio mais silencioso, contemplativo e ligado à arquitetura, esse é um dos roteiros mais acessíveis. Hare Krishna Outro destaque entre as religiões de origem oriental é a Fazenda Nova Gokula, em Pindamonhangaba, ligada à tradição Hare Krishna. O espaço é um santuário natural com área de preservação ambiental, retiro espiritual em clima monástico, aulas de ioga, culinária vegetariana e vegana, hospedagem, cursos, terapias ayurvédicas (um sistema de medicina indiano) e massagens. Islamismo No roteiro islâmico do guia Halal, a Mesquita Sumayyah Bint Khayyat, em Embu das Artes, vai além da função religiosa. O guia a apresenta como um polo de transformação social, cultural e espiritual. Entre as atividades citadas estão distribuição de cestas básicas, café da manhã e marmitas, suporte jurídico, cursos de idiomas, oficinas e diálogo inter-religioso. Na Capital, destaque para a Mesquita Brasil, templo islâmico localizado no Cambuci. Fundada em 1929 pela Sociedade Beneficente Muçulmana, é a mais antiga mesquita do Brasil. Inaugurada oficialmente em 1960, se tornou um marco da fé e da arquitetura islâmica na América Latina. Umbanda, candomblé e tradições indígenas No caso das matrizes africanas e indígenas, o guia turístico dá visibilidade a espaços historicamente menos reconhecidos pelo turismo tradicional. No roteiro, há terreiros, templos e comunidades como lugares de fé, cultura, saberes tradicionais e resistência. Entre os destaques, estão o Templo do Caboclo Guaracy, em Jacareí, a Reserva Indígena Multiétnica Filhos Desta Terra, em Guarulhos, e a Escola Curimba Tambores de Ogum, na Capital. Outro destaque é o Terreiro de Umbanda Encruza, em Caçapava, descrito como espaço de resistência, preservação da cultura negra e troca de saberes por meio da culinária, da música, da dança e de outras expressões artísticas.