Vandré Silveira vive um dos momentos mais intensos de sua trajetória (Divulgação) Com 25 anos de carreira, Vandré Silveira vive um dos momentos mais intensos de sua trajetória. Atualmente no ar em duas novelas com personagens completamente diferentes — o sedutor e golpista Edson, de Quem Ama Cuida, e o capitão Moacir, de Dona Beja —, ele também segue em turnê com o monólogo autoral A Hora do Boi e prepara o lançamento de um novo curta-metragem. Nesta entrevista, fala sobre os desafios de interpretar um personagem manipulador, a parceria com Deborah Evelyn, o amadurecimento na profissão e a busca constante por papéis que ampliem sua trajetória artística. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Edson é um homem sedutor, mas também um golpista. Qual foi o maior desafio para interpretá-lo? Edson é um homem que aparenta ser rico, e se aproveita da confiança que conquista com Carmita para se dar bem financeiramente. O desafio foi criar uma conexão verdadeira entre os personagens. Carmita é uma mulher experiente e não cairia facilmente na lábia deste homem se não houvesse um desejo real entre eles. Como foi construir a parceria e a química em cena com Deborah Evelyn? Deborah é uma grande atriz e tivemos um feliz encontro. Construímos essa relação de intimidade entre os personagens e houve um ótimo entrosamento e química em cena. O jogo entre nós fluiu maravilhosamente e as cenas foram muito divertidas de gravar. Neste ano você pode ser visto em duas novelas com personagens muito diferentes: o Edson, de Quem Ama Cuida, e o Moacir, de Dona Beja. O que esses dois papéis revelam sobre o momento que você vive como ator? Moacir é o capitão da guarda do ouvidor de Minas. Um dragão de Minas que se relaciona intimamente com Severina (Pedro Fasanaro) e que esconde da sociedade essa relação que foge aos padrões da época. Já Edson é um homem que se aproveita de uma vulnerabilidade para se dar bem financeiramente. É muito satisfatório ter a possibilidade de construir personagens tão distintos que evidenciam uma versatilidade como ator. Tenho uma carreira sólida no teatro e esses últimos personagens têm trazido maior visibilidade para o meu trabalho. Você completa 25 anos de carreira. Quando olha para trás, qual foi o momento em que percebeu que estava no caminho certo e que viver da atuação era realmente possível? Não existe um momento de dar certo. Acho esse um pensamento perigoso e reducionista. O caminho e as escolhas se fazem a todo momento. A carreira artística não é fácil. Há de se ter muita resiliência para lidar com as inconstâncias próprias do ofício do ator, com a sazonalidade dos trabalhos e a dificuldade em obter patrocínios culturais. Porém há uma permanência e resistência em fazer o que eu acredito ser essencial para mim. Por isso escolho continuamente o caminho da arte. Você disse que hoje se sente mais confortável com a própria imagem e com o rótulo de galã maduro. A maturidade também mudou a forma como você escolhe ou constrói seus personagens? A maturidade vem do aprendizado com as experiências vividas. Com os erros cometidos. Penso que o maior ganho é a aceitação de quem sou com todas as minhas potencialidades e limitações. Mas com a perspectiva de trabalhar essas limitações para ser uma pessoa melhor para mim e para o coletivo. Nesse sentido, percebo que passo a me conhecer melhor, sem idealizações e isso reverbera na construção dos personagens, naturalmente. O caminho de autodescoberta anda junto com a pesquisa dessa humanidade diversa de tantos personagens. Aceitar a própria humanidade é um passo libertador. Além da televisão, você segue em turnê com o monólogo A Hora do Boi, que traz uma discussão sobre a relação entre seres humanos, animais e natureza. Que tipo de reflexão você espera provocar no público? Este é um trabalho autoral que, além de atuar, eu também idealizei. Através da história de um homem que trabalha num abatedouro de bois e que salva um bezerro em seu nascimento que seria descartado pela produção, discutimos a equivocada relação de superioridade do ser humano em relação aos outros seres. Seu Francisco deve abater o boi Chico, mas o afeto que se estabelece entre eles desconstrói toda a objetividade da função do capataz. Uma história de amor que nos faz refletir sobre a importância de cuidarmos do nosso planeta e de todos os seres que nele habitam. O público tem acompanhado uma fase bastante intensa da sua carreira, com novela, espetáculo teatral e um novo curta-metragem. Como você administra essa rotina e o que gosta de fazer nas horas de descanso e lazer? Tenho viajado bastante a trabalho. Estou sempre entre Rio e São Paulo e confesso que adoro estar em movimento. Mas também sou muito caseiro. Costumo ficar em casa vendo séries na TV e vou ao teatro, além de cuidar da saúde e do corpo. Me exercito de quatro a cinco vezes na semana. Enfim, essa costuma ser minha rotina pessoal.