Vale do Loire (Reprodução) Imagine um bosque com muito verde, cortado por lagos e pequenas estradas que te levam a castelos que mais parecem saídos dos contos de fadas. Não é exagero. Assim é o Vale do Loire, na França, uma região que abrange cidades históricas e fica a cerca de 130 quilômetros de Paris. Um lugar onde a corte local, antes da Revolução Francesa, ocorrida no final do século 18, ia caçar e passar longas férias. Por isso, é mais do que recomendável conhecer um dos lugares mais românticos para se estar. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além do romance, há muita intriga palaciana por trás da história de cada uma daquelas construções. Não abra mão do audioguia ou contrate um profissional para te acompanhar e contar os detalhes pitorescos, sangrentos e picantes dos principais castelos. Eu fiz esse roteiro de carro. Em Paris, peguei o veículo no aeroporto e já segui direto para Amboise, onde mantive minha base. Dali, fiz bate-voltas para cinco castelos em três diárias. Mas dá para ir de trem e fazer as visitas até de bicicleta ou contratar um serviço de transfer. São muitas opções, tanto para se locomover quanto onde ir. Você pode escolher de acordo com suas preferências ou até mesmo o tempo disponível. São 300 palácios espalhados, construídos entre os séculos 10 e 16 pela nobreza. Mas não abra mão de ir ao Château de Chenonceau e ao Château Chambord. São cinematográficos. Fui ainda no Châteatu de Amboise, no Clos Lucé e no Château de Cheverny. Comprei as entradas on-line nos sites oficiais e deu certo. Se tivesse mais tempo, teria ido ao Château de Villandry, que tem um magnífico jardim geométrico. Mas fica para próxima. Château de Chambord (Reprodução) Château de Chambord O Gigante da Renascença Com suas 440 salas, 282 chaminés e uma escadaria dupla atribuída a Leonardo da Vinci, o Château de Chambord impressiona pela grandiosidade e é o maior da região. Construído por Francisco I como um pavilhão de caça, era um símbolo do poder real. Mas, ironicamente, foi pouco habitado. O rei ficava apenas algumas semanas por ano, pois o castelo era frio e difícil de manter. Ainda assim, a arquitetura renascentista e os detalhes matemáticos fazem de Chambord um dos mais fascinantes do Vale do Loire. Do alto do terraço, a vista para a floresta ao redor dá uma ideia do luxo da corte francesa antes da Revolução. Eu tive sorte e o visitei no aniversário de 500 anos do castelo, em 2019, e pudeassistir a um concerto gratuito nos seus jardins, com direito a show pirotécnico. Foi mágico. Château de Chenonceau (Reprodução) Château de Chenonceau O Castelo das Damas Se há um castelo que parece saído de um conto de fadas, esse é o Château de Chenonceau. Erguido elegantemente sobre o Rio Cher, ele tem uma história marcada por intrigas e pelo domínio feminino. Conhecido como Castelo das Damas, foi moldado por mulheres poderosas, como Diane de Poitiers,a amante do rei Henrique II, que transformou os arredores em um esplêndido jardim e mandou construir uma ponte sobre o riopara facilitar a travessia. Noentanto, após a morte do rei, suaviúva Catarina de Médici tomou Chenonceau para si, expulsou Diane e decidiu ampliar ainda mais a construção. Ela transformou a ponte em uma magnífica galeria coberta de dois andares, tornando o castelo único no mundo. Esse espaço, além de servir para recepções luxuosas e bailes da corte, teve um papel crucial na história: durante a Segunda Guerra Mundial, a galeria foi usada como passagem secreta para a Resistência Francesa, pois o Rio Cher dividia a França ocupada pelos nazistas da zona livre. Hoje, se tornou um dos cartões-postais da França. O castelo tem uma estufa nos jardins, cujas flores cultivadas enfeitam todo interior do castelo em grandiosos arranjos. Eles adornam os quartos luxuosos, as salas imponentes e até a cozinha, que é totalmente preservada, incluindo as louças e panelas expostas em uma galeria. Clos Lucé (Reprodução) Clos Lucé A Casa de Leonardo da Vinci A poucos metros do Château d’Amboise, o Clos Lucé não chega a ser um castelo, masé um mergulho no mundo do gênio Leonardo da Vinci. Francisco I o trouxe para a França como “primeiro pintor, engenheiro e arquiteto do rei”, e ali Da Vinci passou seus últimos três anos de vida. A casa preserva sua mobília e expõe maquetes de suas invenções, algumas à frente de seu tempo, além de seus cadernos e anotações originais. O jardim interativo permite explorar seus projetos de engenharia, tornando a visita ainda mais especial para quem admira o gênio renascentista. Château d’Amboise (Reprodução) Château d’Amboise O Refúgio Real e o Descanso de Da Vinci Às margens do Rio Loire, o Château d’Amboise tem um charme medieval e uma vista espetacular da cidade. Aqui, a corte francesa viveu parte de seus dias mais glamorosos. Foi residência de Carlos VIII e Francisco I, e palco de conspirações, incluindo a Revolta dos Huguenotes. Mas o que mais atrai visitantes é a Capela de Saint-Hubert, onde está o túmulo de Leonardo da Vinci. O gênio italiano passou seus últimos anos em Amboise a convite do rei, no vizinho Clos Lucé. Château de Cheverny (Adobe Stock) Château de Cheverny A Inspiração de Tintim Com uma fachada simétrica e um interior impecavelmente decorado, o Château de Cheverny é um dos castelos mais bem preservados do Vale do Loire. Ele pertence à mesma família há mais de seis séculos e ainda é habitado. Seu grande destaque é a coleção de móveis e tapeçarias, que dão um vislumbre da vida aristocrática francesa. Mas os fãs de quadrinhos vão reconhecer a semelhança com o Castelo de Moulinsart, da série As Aventuras de Tintim. O autor belga Hergé, que passava férias no Loire, se inspirou na fachada de Chevernypara criar a residência do Capitão Haddock.Tem uma lojinha com produtos incríveispara quem é fã do jornalista Tintime sua cachorrinha Milu.