(Adobe Stock) Uma pesquisa sobre o futuro do trabalho revela uma perspectiva pragmática da geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) em relação à atividade profissional, desafiando conceitos de ascensão social e sucesso. Ao ouvir 416 pessoas de 15 anos a 28 anos em todo o País, o estudo "Should I Stay or Should I Go? Paradoxos e Referências da Gen Z sobre Liderança" mostrou que, para essa geração, o trabalho não é mais visto como a principal rota para a melhoria de vida, e sim como um meio de sustento e realização pessoal. Uma das principais constatações é que a geração Z não acredita que o trabalho sirva primordialmente para ascensão de vida. Para 43% dos jovens brasileiros, o trabalho é sinônimo de sustento financeiro, enquanto 28% o veem como um meio de realizar sonhos. Apenas 24% o associam à ascensão de classe social. Essa visão mais pragmática se reflete na forma como se relacionam com o emprego: 34% já mantêm uma relação "não monogâmica" com o trabalho, exercendo duas ou mais atividades. Além disso, apenas 37% gostariam de fazer parte do time de uma grande empresa sem ocupar um papel de liderança e 57% dos jovens brasileiros almejam empreender. Organizadora da pesquisa, Cíntia Gonçalves afirmou que essa foi a primeira vez que o levantamento trouxe relatos de jovens líderes. A importância do trabalho para a vida atinge 86% para aqueles em cargo de liderança, e cai para 61% entre os liderados. Em comum, eles se mostram sedentos por conhecimento, porém, a maior parte troca o contato humano pelas máquinas. Cintia enfatiza que isso tem relação com o contexto em que essa geração nasceu e cresceu, incluindo a superproteção parental e a entrada no mercado de trabalho durante a pandemia, moldando sua relação com a autoridade e o trabalho. "É um jovem muito mais pragmático. Primeiro ele busca sustentar sua família para depois pensar em ascensão social". Liderança Sobre a liderança, a pesquisa aponta que os modelos atuais não se conectam com a geração Z. Os jovens líderes entrevistados enfrentam desafios como fazer com que o time entregue sem comprometer o equilíbrio de vida (33%) e encontrar tempo para aprender (17%). Segundo Cintia, a geração Z está mais afeita aos personagens que representam liderança e que atuam em grupo, em detrimento daqueles que atuam individualmente. Para ela, há uma necessidade urgente de "reconstruir a narrativa do que é ser líder" e que os modelos heroicos individuais do passado vêm dando lugar a personagens que representam a colaboração em grupo.