Leonardo DiCaprio interpreta o ex-revolucionário Bob Ferguson (Warner Bros. Pictures/Divulgação) Uma Batalha Após a Outra, do aclamado diretor Paul Thomas Anderson, que também assina o roteiro, é aquele tipo de filme que veio para matar a saudade do cinéfilo apaixonado, que sentia uma falta danada do cinema raiz. O longa-metragem fala direto ao juízo e ao coração, passando uma mensagem forte, tecendo uma crítica social contundente, sem papas na língua, mas com muita ironia, humor e a melhor trilha sonora do ano. Uma Batalha Após a Outra é o cinema no estado da arte. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A trama é livremente inspirada em Vineland, o romance de Thomas Pynchon lançado em 1990. A ousada missão de um grupo de revolucionários para libertar imigrantes latinos em situação irregular na fronteira do México com os Estados Unidos sinaliza e costura o que virá ao longo de 2h40 de filme: ação, tensão, aventura, drama e humor que faz você se agitar na cadeira. É Leonardo DiCaprio que conduz a história na pele do ex-revolucionário Bob Ferguson. Ele terá que resgatar sua filha Willa (Chase Infiniti), sequestrada pelo supremacista Steven Lockjaw, que ressurge após 16 anos para acertar as contas com Bob. O personagem é interpretado por Sean Penn em uma de suas atuações mais extraordinárias. Mas Bob e Lockjaw não estão de lados opostos apenas na seara política: eles são apaixonados pela mesma mulher, a revolucionária Perfidia Beverly Hills, interpretada por Teyana Taylor, mãe de Willa. O triângulo amoroso é um dos pilares dessa jornada insana, que dá o molho apimentado com pitadas generosas de humor, mostrando o estrago que uma mulher pode fazer na vida de dois homens. Porém, é o amor incondicional de um pai por sua filha a grande história dessa trama. Outro nome de peso, Benicio Del Toro dá vida ao Sensei Sergio, professor de artes marciais de Willa, que também integra uma rede de apoio a imigrantes. Del Toro é um coadjuvante marcante e hilário em cada cena. Nem tanto um mestre Miyagi (Karatê Kid, 1984), mas o personagem é essencialmente um revolucionário defensor de pessoas em vulnerabilidade. Del Toro equilibra drama e comédia com maestria. A trilha sonora é coprotagonista dessa trama deliciosamente insólita. Quem assina é Jonny Greenwood, que já fez parceria com Paul Thomas Anderson na comédia romântica Licorice Pizza (2021) e no drama irretocável Trama Fantasma (2017), exibindo uma vitrine invejável de sua versatilidade musical. A produção conta com o bônus de, ao menos, duas canções clássicas: a romântica “Soldier Boy” (1962), de The Shirelles, e o bolero “Perfidia”, de Trio Los Panchos (1951). O filme prima ainda pela fotografia. As filmagens ocorreram em Sacramento e Trinidad, na Califórnia, e em El Paso, no Texas. As cenas gravadas na rodovia e no deserto ao redor proporcionam um efeito visual incrível, que ilustra a tensão vivenciada pelos personagens principais, que atravessam, literal e emocionalmente, um terreno árido, quente e hostil em uma batalha após a outra pela sobrevivência. O longa-metragem é, sem dúvida, um dos melhores do ano, com potencial para concorrer a, no mínimo, nove estatuetas do Oscar, nas categorias de Melhor Filme, Roteiro, Direção, Ator (DiCaprio), Ator Coadjuvante (Sean Penn), Fotografia, Trilha Sonora, Montagem e Efeitos de Som. Vá ao cinema! Boa semana!