Portia e Penelope Featherington (Netflix/ Divulgação) Se você é fã de séries românticas com certeza já maratonou a primeira parte da terceira temporada de Bridgerton, na Netflix. Dessa vez, a trama principal gira em torno de dois dos personagens mais queridos: Penelope Featherington e Colin Bridgerton. Dividida em duas partes - para enlouquecer o público de ansiedade e a franquia ganhar em marketing - há muito mais por trás da história de amizade que se transforma em amor de Pen e Colin. Na Londres de 1815, uma jovem inteligente, leitora voraz, perspicaz e espirituosa como Penelope estava longe de ser um bom partido. Nada disso era predicado para se tornar a esposa que a maioria dos homens da sociedade da época esperavam. Também fora do padrão físico de então, mesmo que sua beleza seja estonteante (o que fica evidente na nova fase), Pen sofre com o desdém e os comentários maldosos. Mas a moça é forte. E não sei se alguém percebeu (talvez eu cause polêmica agora), ela tem a quem puxar: Portia, sua mãe, conhecida como Lady Featherington. Sempre achei Portia, junto com Penelope, as personagens com as personalidades mais interessantes da série. Apesar de parecer que o único objetivo de Lady Featherington, viúva, é casar as três filhas, ela é uma sobrevivente em um tempo em que das mulheres eram arrancados seus poucos direitos (como os de herança) quando se viam sem familiares do sexo masculino. Portia não quer apenas que suas garotas casem. Ela quer mantê-las seguras, custe o que custar, em um mundo em que mulheres são valorizadas por serem acessórios perfeitos de casamentos arranjados. Notem que ela parece criticar o gosto de Penelope pelos livros - mas nunca a proibiu de lê-los. Na temporada passada, Portia ultrapassou limites éticos para manter a fortuna de Prudence, Philipa e Penelope. Nesta terceira fase, algumas de suas falas são bem progressistas - indicando que mulheres já sabiam muito bem que eram lesadas apenas pelo fato de serem mulheres. Ao retornar para a alta sociedade após um período amargo, ela diz às filhas: “Agora podemos seguir em frente sem nenhum homem para nos controlar”. Já em um momento de tristeza de Pen, ela consola a garota afirmando: “Ser solteira não é ruim. Os homens não costumam valer os problemas que vêm com eles”. Portia Featherington é inteligente e perspicaz, como assim saiu sua Penelope. A diferença é que enquanto a filha teve a chance de expandir conhecimento por meio dos livros, o que a ajuda a ter um “negócio” de sucesso (lembrem que é ela a escritora anônima Lady Whistledown), a mãe usa o que sabe e entendeu da vida para se fazer de tola quando necessário e defender sua família. Uma mulher no comando que usou as armas a ela disponíveis. Mãe solo. Se ainda hoje é difícil, imaginem dois séculos atrás? Vamos torcer também por Lady Featherington. P.S.: A cena de Pen e Colin na carruagem, minha gente, é quente, heim?! E linda! Pegue um leque para se abanar enquanto assiste e ouça depois da leitura desse texto a música que embala essa pegação icônica. A versão instrumental de Give Me Everything, de Pitbull, por Archer Marsh.