Perfume das rosas no vaso suavizava o cheiro dos assados (Imagem ilustrativa/Pixabay) O inverno partirá em breve. Deixou a natureza recolhida, os galhos magros, as folhas na calçada. O tempo seco fez os passarinhos voarem mais baixo em busca de água. O céu ficou mais azul. Para quem mora na praia, não deixará aroma de saudade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em poucas semanas, ela chega: a primavera. Estação das mais lindas, cenário de filmes, de livros, da nossa imaginação. Flores, ah!!!! Se não fossem elas, não teríamos sementes e frutos; a biodiversidade seria outra; nossa alimentação também. Um equilíbrio no ecossistema comandado por algo tão nobre e sensível: basta um vento mais forte para as pétalas se soltarem e o pólen voar. Sem as flores, como diríamos em ato aquilo que as palavras muitas vezes não alcançam? Um ramalhete para a namorada, para a mamãe recém-parida, para demonstrar gratidão, respeito, uma coroa para as partidas. A rosa é o símbolo de todas as flores. É nome de cor, de tia, de amiga, de atriz, de cantora. Vira música, tatuagem, grupo de rock dos anos 80, nome de filme, de livro, grafite nos muros, loção corporal. Tão delicada e vulnerável. Também representa o sinônimo máximo de amor. De todos os amores. De mãe, de paixão, de aprovação, de vencer na competição. Quem nunca desejou viver um tempo em que tudo florescesse ao seu redor? As rosas vencem muitas estações; são plantas perenes. Roseiras permanecem vivas ao longo dos anos e podem florescer repetidamente. Atravessam o inverno, perdem flores, esperam, voltam a brotar. Conheci uma Rosa muito especial, que ultrapassava a contemplação estética. Carregava no nome a própria flor. Não tinha espinhos, ou melhor, transformara os seus em biquinhos de amor, suaves ao toque, quase emborrachados, um fofinho acolhedor, um toque de mãe. Seu sorriso, ahhhh, seu sorriso! Era doce como a gargalhada de um nenê. E a ternura no olhar? Um convite para um abraço, um ombro amigo, uma palavra certa. Essa Rosa, tão única, foi levada pela soberania do tempo. As pétalas começam a murchar. Ficaram leves, quebradiças, escureceram, mostrando que estava na hora de se deixar levar pelo vento. Seu perfume, porém, ficou. A roseira foi plantada; ela continua e dela podem sair muitas novas rosas. A Rosa partiu, mas aquilo que floresceu nela — os afetos, as lembranças, as relações — continuará atravessando as estações de quem ficou. Novas rosas surgirão, com o frescor do orvalho. Em câmera lenta, no passo do tempo, o broto surgindo, o botão se abrindo, pétala a pétala. O que posso desejar a você, leitor, nessa primavera que se aproxima, é um mar de rosas. De Rosinhas.