[[legacy_image_357894]] Três lançamentos no mundo da eletrônica não gerarão manchetes nem correria às lojas de smartphones, notebooks, tablets ou consoles de jogos. É que essas novidades estão destinadas ao dia em que esses e bilhões de outros produtos deixarem de ter serventia. Hoje, menos de 20% dos eletroeletrônicos são reciclados. Nos últimos dez anos, a produção dobrou e continua ascendente. Olhe para sua volta. Onipresentes e complicadíssimos se quiser reaproveitá-los. Talvez não haja melhor exemplo do que o smartphone. Em cada um deles há 0,03 gramas de ouro. No ano passado, com base no número de aparelhos vendidos, deixamos de recuperar 20 milhões de quilos do metal. Seria burrice se não fosse estupidez. O nó começa no número reduzido de indústrias recicladoras e se desdobra em métodos muito poluentes, com alto consumo de água e energia elétrica. Um tiro no pé. Por exemplo: para recuperar metais dos circuitos eletrônicos, utilizam-se solventes à base de petróleo. É caro, gera poluição ao longo do processo e, no fim, ainda é preciso dar destino ao líquido resultante, que é tóxico e sem possibilidade de reaproveitamento. Agora vem a parte boa. Os derivados de petróleo, por exemplo, podem ser substituídos por biodiesel ou até mesmo proteínas do soro do leite. No primeiro, com óleo oriundo de palha e bagaço vegetais, o processo de extração é fechado, ou seja, ao final, o líquido resultante é reaproveitado em novo processo de extração de metais. No segundo, a proteína láctea dá origem a uma esponja que captura os metais. Ambos os métodos têm ainda a vantagem de exigir menos recursos hídricos e eletricidade. Essas tecnologias, já testadas com sucesso, precisam agora chegar ao maior número de mercados possíveis, na forma de centros de reciclagem pequenos e móveis. Nesse momento, até exércitos pesquisam esse tipo de tecnologia e os primeiros protótipos já estão em teste. Um dia, quem sabe, essas unidades serão equivalentes ao número de pontos de venda – sendo óbvio, por sinal, que isso já seria necessário. Talvez se leve ainda alguns anos para mudar esse lado mal iluminado da reciclagem de eletroeletrônicos. Seja por necessidade, bom senso ou ambos, que essa espera seja breve e que, nesse meio tempo, os fabricantes repensem seus métodos e os consumidores sejam cada vez mais conscientes. Mina urbanaA recuperação de metais raros em milhares de equipamentos é mais vantajosa do que extraí-los da natureza. Um computador, por exemplo contém muito mais metais preciosos do que o minério extraído, sendo, em si, uma fonte concentrada desses metais. E os benefícios se estendem por vários setores. O ouro, por exemplo, pode ser reutilizado na indústria farmacêutica, como catalisador (substância que acelera reações químicas) na fabricação de anti-inflamatórios e analgésicos. Juntos, mas muito distantesUm grupo de pesquisadores resolveu analisar os estudos sobre resíduos eletroeletrônicos. Duas constatações. A primeira: não se sabe o que há nesses aparelhos. Entre uma análise e outra, constatou-se disparidade nas quantidades de metais e plásticos, um indicativo de desperdício. Eles recomendam a criação de um rótulo de ingredientes, facilitando a reciclagem. Dessa recomendação, vem a segunda constatação: união de esforços. Fabricantes e recicladores devem firmar parcerias que proporcionem a inserção da reciclagem na fase de projeto dos aparelhos. Uma vez fabricado, que seja o mais fácil possível de ser desmontado e reaproveitado.