Alan Ritchson e Rodrigo Santoro protagonizam drama eletrizante (Reprodução) Três Horas Para Viver (Runner) parece, a princípio, um filme de ação como tantos outros do gênero. Mas, mesmo com os clichês, ele tem no elenco e no tema os seus trunfos. Dirigido pelo cineasta e dublê norte-americano Scott Waugh, o drama, rodado em Brisbane, na Austrália, combina ação, adrenalina, humor e emoção em uma corrida contra o tempo para salvar a vida de uma menina de 7 anos em estado gravíssimo, que necessita de um transplante de fígado. Com sangue RH negativo, ela depende de um doador compatível. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O entregador de elite Hank Malone, interpretado por Alan Ritchson (Reacher), recebe a tarefa de transportar o órgão. Ao buscar a encomenda no local combinado, ele conhece Ben (Owen Wilson), responsável por garantir que o fígado chegue em segurança ao destino. Porém, o que deveria ser uma operação de transporte protegida se transforma em uma perseguição sem trégua. Isso porque o criminoso Damián Zaldívar, interpretado por Rodrigo Santoro, deseja roubar o órgão para salvar a vida da própria mãe, chefe de um cartel. O carro de Malone, com Ben e a preciosa carga a bordo, é interceptado pelo grupo de Damián. A partir daí, tiros, explosões, pancadaria e reviravoltas se sucedem em ritmo frenético. Um dos pontos altos do longa-metragem é a sintonia entre Ritchson, Wilson e Santoro, que sustentam o interesse mesmo quando a história recorre a situações bastante familiares ao gênero ação. Ritchson entrega o porte físico de um herói de guerra do cinema, cujo personagem carrega uma tragédia pessoal irremediável, enquanto Wilson acrescenta leveza, graça e comoção, funcionando como contraponto à tensão. No entanto, Santoro rouba a cena em diversos momentos ao apresentar um vilão latino tão cruel quanto cômico, que fala três idiomas, entre eles o português, especialmente quando xinga, reclama e debocha de Malone e Ben. Os palavrões ditos pelo ator, nascido em Petrópolis, no Rio de Janeiro, não estavam originalmente no roteiro. Durante as filmagens, o diretor ouviu Santoro soltar um palavrão em português depois de bater o joelho e gostou tanto da espontaneidade que resolveu incorporar isso ao personagem. A ideia funcionou. Damián se tornou um vilão engraçado e até simpático aos olhos do público brasileiro. Em uma cena tensa, Damián pergunta ironicamente a Malone como se diz “pé errado” em inglês, já que os dois não começaram muito bem naquele primeiro encontro. Malone responde: “Wrong foot, amigo”. A brasilidade do vilão é um dos elementos que arrancam boas risadas do público. O roteiro de Miles Hubley e Tommy White não inova no gênero ação. Perseguições, confrontos, situações improváveis e pancadaria fazem parte do pacote. Em alguns momentos, aliás, a violência é dispensável, mas não compromete a história. Já o drama familiar impede que tudo se resuma a uma disputa entre criminosos e transportadores. A mãe da menina, Kate (Leila George), que aguarda aflita pela chegada do órgão no hospital, ganha protagonismo em uma sequência particularmente tensa e decisiva. É quando o filme nos lembra que, por trás de toda aquela correria, existe uma família vivendo o risco de perder uma criança que só pode ser salva por um transplante. As locações também merecem atenção. O filme oferece um agradável passeio visual por Brisbane, a terceira maior cidade da Austrália. Três Horas Para Viver é daqueles filmes para quem gosta de uma boa perseguição, acompanhada de um drama sólido e convincente, cuja mensagem é essencialmente o valor da vida. Boa semana.